A investigação da Polícia Federal sobre supostas vantagens concedidas pelo Banco Master ao senador Jaques Wagner (PT-BA) descreve uma relação de proximidade entre o parlamentar e o ex-sócio da instituição Augusto Ferreira Lima, conhecido como “Guga”. Os documentos, tornados públicos pelo ministro do STF André Mendonça, apontam que esse vínculo teria aberto espaço para interlocuções sobre interesses do banco no Congresso.
Segundo a PF, Wagner mantinha contato frequente com Augusto Lima, com quem trocou dezenas de ligações entre 2023 e 2025. As mensagens analisadas mostram encontros entre as famílias, viagens e convites para eventos privados, além de conversas sobre assuntos relacionados ao Banco Master.
Os investigadores afirmam que o senador acompanhava pautas de interesse da instituição, entre elas a chamada “Emenda Master”, proposta que ampliava o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A corporação sustenta que Daniel Vorcaro, ex-CEO do banco, via Wagner como um aliado político nas articulações em torno do tema.
A PF também cita supostas vantagens recebidas pelo senador, como voos em aeronaves ligadas ao grupo, presentes, ingressos para um show da cantora Taylor Swift e negociações envolvendo a compra de um apartamento de 2,45 milhões de reais em Salvador. Segundo o relatório, a operação do imóvel teria seguido modelo semelhante ao identificado em outros casos investigados.
Outro trecho do documento relata reuniões entre Wagner e Augusto Lima no gabinete do senador. Em uma das mensagens, o senador teria sugerido que o empresário acessasse o local por um caminho mais discreto. A PF ainda afirma que o parlamentar reagia a atualizações sobre os negócios do Banco Master enviadas por Augusto, demonstrando acompanhamento das movimentações da instituição.
Antes da operação de busca e apreensão realizada em 18 de junho, André Mendonça autorizou o monitoramento da localização aproximada do celular de Wagner por dez dias e a obtenção de registros telefônicos, sem acesso ao conteúdo das conversas.
A Polícia Federal afirma haver indícios de que o senador recebeu benefícios em troca de atuação parlamentar favorável aos interesses do Banco Master. A defesa de Jaques Wagner nega irregularidades.
Fonte: O Antagonista









