Uma ave extinta na natureza desde 2002 voltou a voar livre em grupo de cinco nas florestas de Maui no final de 2024. Era o ʻalalā, corvo nativo do Havaí preservado pela reprodução sob cuidados humanos e acompanhado por indígenas havaianos, tratadores e biólogos.
Qual ave extinta voltou à floresta?
A espécie é o ʻalalā ou corvo-havaiano, conhecido cientificamente como Corvus hawaiiensis. Ele é o último representante vivo dos corvos nativos do arquipélago e ocorre apenas no Havaí, onde possui importância ecológica e cultural.
O Corvus hawaiiensis é uma ave inteligente, social e capaz de usar ferramentas. Na floresta, consome frutos, insetos e outros alimentos, espalhando sementes de plantas nativas e contribuindo para a regeneração da vegetação.

Por que o ʻalalā desapareceu da natureza?
A população sofreu com perda de habitat, doenças e predadores introduzidos. Também houve ataques do ʻio, gavião nativo do Havaí, durante tentativas anteriores de reintrodução, além de uma queda contínua no número de indivíduos capazes de se reproduzir.
O último casal selvagem foi observado em 2002, e a espécie passou a existir apenas em centros de conservação. Solturas realizadas entre 2016 e 2019 na ilha do Havaí foram interrompidas; em 2020, as cinco aves sobreviventes retornaram aos cuidados humanos.
Como a reprodução controlada impediu a extinção?
Alguns animais foram levados para instalações especializadas desde a década de 1970. Tratadores formaram casais, acompanharam ovos e filhotes e mantiveram uma população protegida, que chegou a mais de 110 aves em dois centros segundo o projeto.
A criação não é simples. Pares podem ser incompatíveis, ovos inférteis são frequentes e a baixa diversidade genética afeta a reprodução. Cada candidato à soltura ainda passa por avaliações de saúde, socialização, condicionamento físico e treinamento para reconhecer ameaças.
O programa combina quatro frentes principais:
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Reprodução e atendimento veterinário contínuo
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Preparação comportamental antes da soltura
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Restauração e proteção da floresta nativa
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Monitoramento diário depois do retorno
Como cinco aves foram preparadas para Maui?
Três machos e duas fêmeas juvenis passaram semanas em um viveiro instalado na Reserva Florestal de Kīpahulu. Ali, conheceram o ambiente, fortaleceram o voo e aprenderam a usar alimentadores automáticos antes que a porta fosse aberta em novembro de 2024.
Cada ave recebeu transmissores de GPS e rádio para acompanhamento. A equipe forneceu alimentação complementar e realizou observações diárias, enquanto o grupo passou a explorar árvores, procurar frutos e insetos, vocalizar, enfrentar tempestades e praticar comportamentos de formação de pares.
O que representaram a bênção e as duas novas aves?
Em 2025, uma fêmea e um macho foram levados ao viveiro de adaptação após uma cerimônia de despedida com pule, a bênção tradicional havaiana. O encontro reuniu a comunidade manu ʻohana, pesquisadores e instituições parceiras em torno do retorno da espécie.
O comunicado classificou as aves como parte da expansão do grupo, mas informou que ainda estavam no viveiro antes da liberdade. Registros posteriores disponíveis continuaram apontando cinco indivíduos voando livres, por isso a entrada efetiva dos dois no grupo selvagem exige confirmação atualizada.
Os marcos da recuperação ficam organizados assim:
Período
Marco
Situação
2002
Último casal observado
Fim da população livre
Extinto na natureza
2024
Floresta de Maui
Cinco aves soltas
Retorno histórico
2025
Ampliação planejada
Duas aves no viveiro
Adaptação monitorada
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O que ainda falta para a recuperação do ʻalalā?
O Projeto ʻAlalā do governo do Havaí acompanha a reintrodução e mantém a criação protegida. O objetivo não é apenas soltar aves, mas formar uma população capaz de sobreviver, reproduzir e cumprir sua função ecológica com pouca ajuda humana.
A presença de ninhos, forrageamento e vínculos sociais oferece sinais positivos, mas cinco aves ainda representam um começo frágil. Controle de predadores, floresta saudável, diversidade genética e acompanhamento prolongado determinarão se o retorno se tornará permanente.
Fonte: O Antagonista









