No dia da convenção do PL, Rodrigo Valadares, Ricardo Marques e Edvan Amorim derrubaram a tese de que haveria possibilidade de uma reaproximação. Rodrigo negou veementemente recuo do partido e iminente apoio a Valmir de Francisquinho. Só que, além da decisão deles, havia uma movimentação sendo gestada no porão da convenção que eles não alcançaram.
Não contavam que o PL, ao perceber o esvaziamento da vaga de vice de Flávio Bolsonaro, buscasse, de todas as formas, ter o Republicanos na chapa, indicando justamente a vice-presidência.
Após diálogos entre as direções nacionais, coube ao senador Rogério Marinho, do PL do Rio Grande do Norte, a missão de avisar Rodrigo Valadares de que o Republicanos abriu diálogo com o partido e que Sergipe entrou na mesa de negociação. Rodrigo teria dito que isso não seria empecilho e se mostrou aberto ao diálogo “em nome do projeto nacional”.
Historicamente, as teses de interferência nacional dos grandes partidos em Sergipe nunca se sustentaram. Por diversas vezes, aludiu-se que a esquerda, por meio de suas composições nacionais, poderia interferir na formação das chapas no estado. Nada passou de especulação ou teoria de bastidor. O PT, por exemplo, nunca impôs decisões em Sergipe.
E isso ocorre por uma razão prática. Sergipe não possui tamanho eleitoral suficiente para alterar uma conjuntura nacional. Não se trata de desvalorizar o estado, mas de reconhecer uma realidade política objetiva.
Voltando à conjuntura da direita sergipana em 2026, após a divisão que separou os bolsonaristas do PL dos bolsonaristas “envergonhados”, o clima permaneceu tenso entre os dois grupos. A turma de Rodrigo trabalha para demonstrar que os verdadeiros defensores de Bolsonaro são eles.
Já a turma de Valmir busca surfar no equilíbrio. Sabe que não é bom para Valmir assumir um discurso radicalmente pró-Flávio Bolsonaro.
Por isso, até surgir a informação nacional, Valmir não demonstrava grande preocupação com uma eventual reaproximação.
Contudo, aliados de Francisquinho passaram a enxergar vantagens na abertura do diálogo: fortalecimento do grupo, acirramento efetivo da disputa e redução do risco de vitória de Mitidieri já no primeiro turno. Isso não é conjectura; é argumento apresentado por aliados de Valmir para justificar a conversa.
Se a direção nacional abriu diálogo, as direções locais permanecem aguardando e resistentes a mudanças. E um alerta é: não existe reaproximação sem perdas.
O que se fala de como se daria a reaproximação?
Vamos aos bastidores: o PL “jogaria na BR” seu pré-candidato ao governo, Ricardo Marques, e seu pré-candidato ao Senado, Coronel Rocha, para compor com o Republicanos. Todos sabem que a prioridade é Rodrigo Valadares.
E o Republicanos? Abriria mão de um dos nomes ao Senado para compor com o PL? Numa consulta a fontes do partido, a resposta é: não!
Cabem três candidaturas da direita quando oficialmente só existem duas vagas? Uma fonte do Republicanos avalia que sim. Lógico, pensando ele apenas em seu grupo.
Diante do impasse, do Republicanos não abrir mão de uma vaga, resta ao partido liberar a nacional negociar apoio a Flávio sem condicionar a situação de Sergipe.
Afinal, o que lucraria o PL? Se a prioridade nacional é eleger senadores, por que o partido se afastaria da disputa pelo Senado em Sergipe para apoiar dois candidatos de outra legenda?
Não existe composição vantajosa apenas para um dos lados. Sendo assim, o Republicanos teria de abrir mão de algo. Quem seria sacrificado? O Lobo ou o Pacífico? É difícil imaginar a retirada de André David, que é líder nas pesquisas, e de Eduardo Amorim.
Exatamente por isso que não é simples a reaproximação entre Rodrigo e a turma de Valmir. Faltam poucos dias para sabermos o desfecho.
NOTAS DA SEMANA
Nas mãos da nacional
Além de toda essa incerteza quanto à composição em Sergipe, entre Republicanos e PL qualquer reaproximação depende efetivamente da nacional. E todo esse quadro de incertezas locais não fará o PL mudar a data da convenção, que está mantida para amanhã, dia 3, às 14h, na sede do partido.
Registro de Valmir
O pedido de registro de Valmir de Francisquinho tramita sem nenhuma novidade. Para ficar completa, a ata precisa da decisão do PSDB de homologar a indicação dos suplentes de André David e do apoio a Valmir na majoritária.
Convenção do PSDB/Cidadania
A convenção da Federação PSDB/Cidadania ocorre hoje, com previsão de finalização até o final da manhã. Filiados definirão se seguem o acordo firmado entre Emanuel Cacho e Edvan Amorim ou se decidem ter chapa própria. Segundo Cacho, não há nomes, não há decisão e tudo caberá à democracia interna. “Pode haver surpresa”, disse ele.
Mitidieri com Lula
A ida do governador Fábio Mitidieri à convenção nacional que oficializará a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, neste domingo, 2, em São Paulo, reforça, na avaliação de aliados, a coerência de sua trajetória política. Como deputado federal, votou contra o impeachment de Dilma Rousseff e, no governo Lula, tem mantido uma parceria institucional que resultou na atração de importantes investimentos para Sergipe.
Mitidieri acerta
A avaliação é de que Mitidieri acerta ao ir ao evento e demarcar seu espaço como candidato de Lula nas eleições de 2026 em Sergipe. Ter o carimbo de lulista pode ser fundamental na sua busca pela reeleição. Lula detém índices altíssimos de intenção de votos no estado.
Rogério na convenção
Quem também está em São Paulo para a convenção nacional do PT é o senador Rogério Carvalho. O petista será anfitrião para o governador Fábio Mitidieri. Rogério buscará firmar sua campanha como o único candidato de Lula ao Senado em Sergipe. Em 2018, deu certo.
André é Laércio
O senador Laércio Oliveira tensionou até onde pôde para comandar a Federação União Progressista em Sergipe. Desde que saiu a junção do Progressistas com o União Brasil, André Moura declarou ter ouvido da nacional que o comando aqui seria dele. Mesmo assim, Laércio não se entregou e buscou, de todas as formas, atrapalhar os planos de André.
André é Laércio II
O que chama mais atenção no caso é que a Federação tem André Moura como candidato ao Senado e Laércio não apoia. Seria um caso inusitado em que um presidente não estaria engajado no projeto político de interesse da Federação, que formará bancada em 2027. Seria incoerente. Ao final, deu a lógica: o presidente do partido com maior força política dentro da Federação é que terá o comando.
André e Laércio III
Na reunião de planejamento da convenção, André e Laércio pactuaram a formação das chapas proporcionais. O Progressistas, segundo André Moura, apresentará sete nomes para deputado estadual e quatro para federal. O União Brasil apresenta 18 nomes para estadual e cinco para federal.
Convenção de Edvaldo
O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, confirmou sua candidatura a senador. Uma coisa não se pode negar: enquanto muitos duvidavam que ele manteria esse projeto, ele seguiu firme, sem recuo. Especularam desistência para apoiar Rogério; ele negou, manteve o foco e efetivou seu intento, entrando na disputa com apoios importantes.
Convenção de Edvaldo II
Convenção não quer dizer muita coisa, mas influencia na imagem de largada. Edvaldo reuniu apoios importantes, como o senador Laércio Oliveira, o ex-governador Jackson Barreto, seus suplentes Joaquim Ferreira e Geraldo Teixeira, Renatinho de Propriá, ex-prefeito de Poço Verde Igor Oliveira, além de seus escudeiros, ex-vereador Bittencourt e o atual Fábio Meirelles.
Convenção de Edvaldo III
Não se fizeram presentes os vereadores Joaquim da Janelinha e Vinicius Porto. Ambos são do PDT. Joaquim já declarou que não votará em Edvaldo; ele apoia André Moura e Eduardo Amorim. Já Vinicius Porto ainda não explicitou quem desfrutará de seu apoio. Amanhã, ele concede entrevista ao Jornal da Fan.
Convenção de deputado
Um candidato ao Senado, portanto, adversário de Edvaldo Nogueira, fez provocações contra o adversário, classificando a convenção de Edvaldo de “convenção de deputado estadual”. Segundo ele, no espaço em que foi realizado, não cabem 500 pessoas. Isso demonstraria, na opinião dele, a limitação de Edvaldo na disputa.
Sem chapas fortes
Resta a Edvaldo — e o que ele tem não é pouco — sua imagem de bom gestor e a fidelidade do eleitor que gostou do seu trabalho em Aracaju. O PDT não conseguiu formar chapa para a disputa de vagas na Alese e lançou uma fraca chapa de deputados e deputadas federais. Edvaldo lembra, em 2026, o Albano de 2010.
Marcos Santana fez maior
O evento organizado por Marcos Santana e Paulo Júnior foi maior que o de Edvaldo. Realizado em São Cristóvão, o evento teve por objetivo a apresentação da chapa, que é formada pelos dois: Marcos, para federal, e Paulo Júnior, à reeleição; Mitidieri, para o governo; e André Moura e Rogério Carvalho, para o Senado.
Segunda força
Marcos Santana é apontado hoje como a segunda força do PSB. Cláudio Mitidieri deve ser o mais votado, e ele é cotado como possível segundo colocado. Marcos Santana carrega a imagem de bom gestor, após duas passagens pela Prefeitura de São Cristóvão, e de um homem ideológico no campo da esquerda.
Cláudio Mitidieri mostrou força
Não poderia ser diferente. A Convenção do PSB teve grande público e foi do jeito que político gosta: além de multidão, trânsito travado e virou assunto nas redes sociais. Cláudio, que é o mais cotado para ser o mais votado deste pleito, não tinha outra opção: tinha que mostrar força no ponta-pé inicial. O governador Fábio Mitidieri participou do evento.
Cláudio com André e Alessandro
O PSB homologou fortes chapas para concorrer a vagas para a Alese e a Câmara Federal, aprovou participação na coligação com o PSD, portanto apoia Fábio Mitidieri e, oficialmente, também a chapa de senadores, ou seja, André Moura e Rogério Carvalho. Porém, Cláudio Mitidieri já declarou que seus candidatos ao Senado são André e Alessandro.
Rogério foi convidado
O senador Rogério Carvalho foi convidado para estar presente. No PSB, ele conta com o apoio de Zezinho Sobral, mas, segundo a organização do evento, ele não compareceu. Procuramos entender o motivo da ausência, e a justificativa foi de choque de agenda. Dialogamos com Rogério Carvalho, e ele admitiu que foi um “erro de avaliação”. Ele cumpriu agenda em Aquidabã e São Francisco.
Fonte: Fan F1









