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Família paga R$ 27 mil na reforma de telhado e vê três quartos alagados na primeira chuva


A casa de Rosana tinha goteira desde antes da pandemia, e a família juntou dinheiro por quatro anos para bancar a reforma de telhado completa. Foram R$ 27 mil em telha nova, madeiramento e mão de obra, pagos em três parcelas. Na primeira chuva forte, três quartos amanheceram com poça no chão e o pedreiro disse que a culpa era das paredes antigas. A história é fictícia, mas o cenário é conhecido.

Como a família chegou a essa obra?

Rosana pesquisou por meses. Comparou três orçamentos, escolheu telha melhor do que a original e aceitou pagar mais caro por um profissional indicado por uma vizinha. Aceitou até dormir na casa da irmã durante a semana da obra.

Esse esforço merece proteção, e a lei dá isso. Contratar um serviço de reforma cria uma relação regida pelo Código de Defesa do Consumidor, ainda que o combinado tenha sido feito na calçada.

Família paga R$ 27 mil na reforma de telhado e vê três quartos alagados na primeira chuva
Família paga R$ 27 mil na reforma de telhado e vê três quartos alagados na primeira chuva

O que aconteceu na primeira chuva?

A água entrou por três pontos diferentes do forro. O guarda-roupa do quarto do meio inchou na base e o teto de gesso da sala manchou em duas noites seguidas. A obra tinha sido entregue havia quarenta dias.

O responsável pela reforma voltou, olhou de fora e atribuiu o problema à parede velha. Sugeriu novo orçamento para impermeabilização. Rosana não tinha contrato assinado, apenas mensagens de aplicativo e os comprovantes das três parcelas.

Família paga R$ 27 mil na reforma de telhado e vê três quartos alagados na primeira chuva
Família paga R$ 27 mil na reforma de telhado e vê três quartos alagados na primeira chuva

O que a lei diz quando o serviço contratado sai defeituoso?

Aquelas mensagens de aplicativo valem mais do que parece. Quando o serviço sai impróprio para o que foi contratado, o consumidor escolhe entre a reexecução sem custo, a devolução do valor pago com correção ou o abatimento proporcional do preço.

Obra também tem garantia própria. O Código Civil fixa prazo de cinco anos de responsabilidade pela solidez e segurança em construções de porte, o que costuma alcançar a troca completa de uma estrutura de telhado.

Como provar que o problema veio da obra e não da casa antiga?

Essa discussão sobre a parede velha só se resolve com prova técnica, e ela existe para evitar que o mais teimoso vença a disputa. As regras de perícia nasceram porque laudo feito por quem entende do assunto separa desgaste natural de serviço malfeito. Antes de qualquer conserto, é possível pedir a produção antecipada de prova prevista no Código de Processo Civil.

O prazo aperta em paralelo: defeito visível em serviço durável precisa ser reclamado em até 90 dias, contados de quando o problema apareceu.

Estes são os pontos que sustentam a cobrança:

1


Registro do estrago no mesmo dia
Foto e vídeo com data, mostrando a água entrando e o ponto exato da infiltração.

2


Reclamação formal ao executor
Mensagem escrita descrevendo o defeito e pedindo prazo para a correção sem cobrança.

3


Laudo de profissional habilitado
Parecer de engenheiro ou arquiteto registrado no conselho da categoria, com fotos anexas.

4


Conservação da cena até a perícia
Consertar por conta própria antes da vistoria apaga a prova de quem errou.

5


Reunião de todos os comprovantes
Orçamento, comprovantes de pagamento, nota das telhas e conversas salvas em ordem de data.

O que muda quando comparamos a obra de Rosana com o caminho legal?

A diferença entre a reforma de Rosana e uma obra bem contratada não está no dinheiro que ela juntou nem na qualidade da telha escolhida, mas no processo. Cada etapa resolvida na conversa tinha uma versão em papel.

A comparação entre o caminho que Rosana seguiu e o que a lei pede fica clara na tabela:









Etapa O que Rosana fez O que a lei exige

Contratação do serviço
Antes da obra começar
Fechou o valor por mensagem, sem contrato Escopo descrito por escrito

Acompanhamento técnico
Durante a execução
Confiou na experiência indicada pela vizinha Responsável habilitado

Pagamento
Três parcelas
Guardou todos os comprovantes de transferência Prova de contratação

Aparecimento do defeito
Primeira chuva forte
Fotografou os quartos alagados no mesmo dia Prova bem produzida

Resposta do executor
Depois da reclamação
Aceitou a explicação verbal sobre a parede antiga Laudo técnico necessário

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O que se aprende com a história de Rosana?

Nada do que Rosana fez foi ingenuidade. Ela pesquisou, comparou e pagou em dia por um material melhor do que o antigo. O que faltou foi o papel que transforma um combinado de calçada em obrigação cobrável, e isso ninguém aprende antes de precisar.

Quem realmente quer contratar uma reforma de telhado precisa seguir esse roteiro: exigir contrato escrito com prazo, material e garantia descritos, contratar profissional com registro no conselho da categoria, guardar nota de cada compra, fotografar a estrutura antes e depois, reclamar por escrito assim que a água aparecer e procurar o Procon ou a Defensoria Pública antes que os 90 dias passem. A casa de Rosana ainda vai secar. Da próxima vez, com contrato na gaveta.





Fonte: O Antagonista

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