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IA no Governo: A Revolução Silenciosa da Influência e as Novas Ferramentas



Preparar uma empresa para vender qualquer coisa ao governo dos Estados Unidos costumava ser um verdadeiro mistério para muitos. Mas essa realidade está mudando rapidamente, impulsionada pela tecnologia. Joe Scheidler, cofundador e CEO da Helios, uma startup de Nova York, personifica essa transformação. A Helios, que já levantou US$ 4 milhões em uma rodada seed em julho de 2025 e mais US$ 2 milhões em março de 2026, desenvolveu o Proxi. Ele descreve o Proxi como “uma plataforma de inteligência de políticas públicas e compras governamentais que funciona de fato como um sistema operacional nativo de IA para profissionais de políticas públicas”. Essencialmente, ele lê projetos de lei, regulamentações e oportunidades de contratação para redigir textos a partir deles.

O mercado para o qual Scheidler está vendendo é colossal e cada vez mais dominado pela inteligência artificial. Em 2025, os gastos com lobby federal bateram um recorde de US$ 5,08 bilhões, um aumento significativo impulsionado, em grande parte, pela IA. Mais de 3.500 lobistas federais, quase um em cada quatro, relataram trabalhar com temas de IA em 2025, segundo o OpenSecrets. O número de lobistas focados em IA no Capitólio cresceu impressionantes 170% em três anos, e aqueles que lidam com data centers viram um aumento de cerca de 500%.

Scheidler está apostando na próxima onda: usar a própria tecnologia de IA para aprimorar o negócio da influência. O paradoxo das políticas públicas, como ele mesmo descreve, é que “o ritmo das políticas aumenta, mas a sua capacidade de lidar com elas simplesmente diminui de forma vertiginosa”. O volume de regulamentações é assustador: a edição de 2024 do Federal Register atingiu 107.262 páginas, com 3.248 regras finais. Nos estados, a situação não é diferente, com um número crescente de projetos de lei relacionados à IA sendo apresentados e aprovados rapidamente.

“O volume dá razão a ele.”

O caminho de Scheidler até a Helios foi marcado por experiências significativas no setor público. Ele atuou como subchefe de gabinete de um senador estadual na Virgínia e trabalhou na Casa Branca, apoiando a estruturação do Gabinete do Diretor Nacional de Cibersegurança. Posteriormente, no Departamento de Estado, ele foi fundamental na articulação com o Congresso para a Partnership for Global Infrastructure and Investment, uma resposta do G7 à iniciativa chinesa Nova Rota da Seda. Em 2024, ele cofundou a Helios com Joseph Farsakh e Brandon Smith, percebendo uma lacuna clara no mercado: enquanto soluções de IA surgiam em áreas como jurídico e saúde, o espaço de políticas públicas e governo permanecia carente.

Esse cenário de alta demanda e investimento também se reflete em outras empresas do setor. A Govini, especializada em inteligência para aquisições de defesa, recebeu um investimento de US$ 150 milhões em outubro de 2025. A Quorum, que atende mais de 2.000 organizações, também recebeu investimento estratégico para desenvolver recursos de IA agêntica. Por outro lado, nem todas as empresas de tecnologia governamental tiveram sucesso. A FiscalNote, que abriu capital em 2022 com promessas de IA para políticas públicas, passou por uma reestruturação significativa, vendendo subsidiárias e vendo seu valor de mercado cair drasticamente. A lição aprendida por muitos fundadores é que o mercado de software para o governo exige excelência absoluta; não basta ser um pouco melhor, é preciso ser “10x melhor”, como aponta Tyler Traudt, fundador da DebtBook.

A própria adoção de IA pelas agências governamentais é notável. A General Services Administration lançou o USAi, um ambiente de avaliação para IA generativa, e fechou acordos para disponibilizar ferramentas como ChatGPT Enterprise e Claude para agências federais a custos irrisórios. Em 2025, os órgãos federais relataram 3.611 casos de uso de IA, um aumento de mais de 100% em relação ao ano anterior. No entanto, a implementação não é isenta de desafios. O Government Accountability Office (GAO) identificou dificuldades na obtenção de poder computacional, na contratação e treinamento de pessoal, e na mitigação de resultados enviesados ou “alucinações” gerados pela IA. Esses são obstáculos significativos, especialmente quando se considera que as decisões tomadas no governo têm consequências que podem impactar vidas ou bilhões de dólares.

Scheidler, da Helios, acredita que a chave para superar esses desafios reside na “proveniência”. Seu produto visa garantir que os usuários possam rastrear a origem de cada informação gerada pela IA. Isso é crucial para combater problemas como o “astroturfing” – a manipulação de opiniões públicas através de conteúdo falso em larga escala. Um exemplo claro desse problema foi o caso da neutralidade da rede da Federal Communications Commission em 2017, onde quase 18 milhões de comentários eram falsos. A capacidade da IA de gerar e disseminar informações falsas em alta velocidade representa um dos maiores desafios para sua adoção ética e segura no setor governamental.





Fonte: Em Sergipe

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