Materiais que normalmente terminariam acumulados em áreas industriais ou aterros podem ganhar uma função valiosa na construção. Uma solução desenvolvida por pesquisadores brasileiros transforma rejeito de mineração, tecido descartado e garrafa PET em blocos resistentes, produzidos em poucas horas e sem a queima tradicional dos tijolos cerâmicos.
Como rejeito de mineração, tecido descartado e PET viram bloco?
A fabricação começa com o beneficiamento dos resíduos. Rejeitos de mineração de ferro ou esmeraldas são combinados com pó de tecidos de poliéster e partículas obtidas de garrafas PET, formando uma mistura capaz de assumir uma nova função dentro do canteiro de obras.
Em vez de tratar cada descarte separadamente, o processo aproveita características complementares dos materiais. O conteúdo mineral forma a base do bloco, enquanto os componentes plásticos ajudam na união e no desempenho da peça depois da prensagem e do aquecimento.
Por que o bloco fica pronto em cerca de três horas?
A mistura é colocada em moldes metálicos, prensada e submetida ao calor. Esse método permite que o bloco seja retirado pronto em aproximadamente três horas, reduzindo o tempo necessário para obter uma peça com resistência adequada ao uso construtivo.
O processo também elimina uma etapa marcante da produção cerâmica, a passagem por fornos de tijolos. A fabricação segue uma rota mais rápida, com menos dependência de argila e sem a longa queima normalmente empregada para endurecer peças convencionais.

Onde o tijolo sustentável pode ser utilizado?
Os testes indicaram desempenho comparável ao de tijolos de solo-cimento, abrindo espaço para diferentes aplicações. Ainda assim, qualquer construção precisa respeitar cálculos estruturais, normas técnicas e as características específicas de cada projeto.
Entre as possibilidades avaliadas para o tijolo sustentável estão:
- execução de muros e paredes;
- aplicação em sistemas de laje compatíveis;
- construção de unidades habitacionais;
- projetos de moradia popular com menor custo;
- obras que priorizem materiais reciclados.
Quais ganhos ambientais essa mistura pode oferecer?
O reaproveitamento do rejeito de mineração reduz o volume de material armazenado ou descartado após a atividade mineral. Ao mesmo tempo, o uso de tecido descartado e garrafa PET cria uma nova destinação para resíduos que podem permanecer no ambiente por muitos anos.
A produção também pode diminuir outras pressões ambientais associadas aos tijolos tradicionais. Os principais ganhos potenciais incluem:
Quais ganhos ambientais essa mistura pode oferecer?
- 1Menor retirada de argila próxima a rios e córregos.
- 2Redução do envio de resíduos para aterros.
- 3Aproveitamento de materiais industriais poluentes.
- 4Menor necessidade de matérias-primas virgens.
- 5Eliminação da queima convencional da peça.
O que falta para a solução chegar às moradias populares?
Transformar a descoberta em uma alternativa disponível no mercado depende de produção em escala, padronização, controle de qualidade e validação para cada tipo de aplicação. Também será necessário estruturar uma cadeia capaz de coletar, separar e preparar rejeito de mineração, poliéster e PET com regularidade.
O potencial, porém, é relevante. Ao reunir três descartes em uma única mistura, o tijolo sustentável aproxima reciclagem, resistência e rapidez de fabricação. Com desenvolvimento técnico e investimento industrial, a solução pode reduzir custos, aliviar impactos ambientais e ampliar o acesso a materiais construtivos para moradias populares.
Fonte: O Antagonista









