Yusra Mardini tinha 17 anos quando deixou a Síria e embarcou em uma travessia que deveria durar menos de uma hora, mas acabou exigindo toda a habilidade que ela havia desenvolvido nas piscinas. A história de Yusra Mardini uniu guerra, sobrevivência e esporte antes de levá-la a duas edições dos Jogos Olímpicos pelo Time de Refugiados.
Por que Yusra Mardini precisou abandonar a Síria aos 17 anos?
Yusra cresceu em Damasco e treinava natação desde criança sob a orientação do pai, que também era treinador. Ela chegou a representar a Síria em competições internacionais, mas a guerra civil transformou sua rotina, atingiu áreas de treinamento e tornou cada deslocamento mais perigoso.
Em agosto de 2015, Yusra e sua irmã mais velha, Sarah, decidiram fugir em busca de segurança na Europa. Elas passaram pelo Líbano e pela Turquia antes de tentar cruzar o Mar Egeu rumo à ilha grega de Lesbos, uma etapa curta no mapa, porém extremamente arriscada para quem dependia de traficantes e embarcações precárias.
O que aconteceu durante as três horas no Mar Egeu?
O bote inflável havia sido projetado para transportar apenas seis ou sete pessoas, mas saiu da costa turca com cerca de 20 passageiros. Pouco depois, o motor parou e a embarcação começou a receber água, deixando a maior parte do grupo sem condições de alcançar a costa nadando.
- O motor do bote parou em mar aberto.
- A embarcação começou a afundar com cerca de 20 pessoas.
- Yusra, Sarah e outros passageiros entraram na água.
- O grupo guiou o bote durante mais de três horas.
O vídeo publicado pelo canal oficial dos Jogos Olímpicos apresenta a trajetória de Yusra desde a fuga da Síria até a preparação para o Rio 2016. O conteúdo mostra a nadadora já vivendo na Alemanha, explica a travessia pelo Mar Egeu e registra como ela transformou uma habilidade usada para sobreviver em uma oportunidade de representar milhões de refugiados no esporte mundial.
Como Yusra Mardini ajudou o bote a alcançar a costa grega?
Yusra, Sarah e outras duas pessoas entraram na água para aliviar o peso e estabilizar a embarcação. Os relatos oficiais descrevem o grupo nadando ao lado do bote, empurrando ou guiando sua estrutura e mantendo os passageiros em movimento até que conseguissem se aproximar de Lesbos.
A travessia durou mais de três horas, e algumas fontes mencionam cerca de três horas e meia. Portanto, não se tratou de uma prova de velocidade, mas de uma luta prolongada contra o frio, o cansaço e o medo de que o bote desaparecesse sob a água antes de alcançar a ilha.
Como uma refugiada sem equipe voltou a treinar na Alemanha?
Depois de chegar à Grécia, Yusra e Sarah continuaram a viagem por diferentes países europeus até alcançar a Alemanha. Em Berlim, Yusra encontrou o clube Wasserfreunde Spandau 04 e voltou aos treinos com o técnico Sven Spannekrebs, recuperando aos poucos a rotina esportiva que a guerra havia interrompido.
O treinador percebeu que ela ainda possuía condições para competir e começou a preparar sua volta às piscinas. Enquanto aprendia alemão e reconstruía a própria vida, Yusra passou a treinar diariamente, processo que chamou a atenção quando o Comitê Olímpico Internacional anunciou a criação de uma equipe formada por atletas refugiados.
Como Yusra Mardini chegou a duas edições dos Jogos Olímpicos?
Em 2016, o Comitê Olímpico Internacional formou pela primeira vez uma equipe olímpica de refugiados. Yusra integrou o grupo de dez atletas selecionados para competir no Rio de Janeiro e participou das provas de 100 metros borboleta e 100 metros livre, chegando a vencer sua bateria classificatória nos 100 metros borboleta.
Ela voltou aos Jogos no evento oficialmente chamado Tóquio 2020, realizado em 2021 devido ao adiamento causado pela pandemia. Novamente sob a bandeira olímpica, competiu nos 100 metros borboleta e tornou-se uma das figuras mais reconhecidas do Time Olímpico de Refugiados.

Por que sua história passou a representar milhões de refugiados?
Em 2017, Yusra tornou-se a pessoa mais jovem até então nomeada embaixadora da Boa Vontade do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados. Desde então, passou a defender acesso ao esporte, à educação e a oportunidades para pessoas forçadas a abandonar seus países.
A trajetória ganhou livros, entrevistas e uma adaptação cinematográfica, mas seu impacto vai além da travessia e dos resultados nas piscinas. A página do ACNUR dedicada a Yusra Mardini mostra como ela transformou a própria visibilidade em trabalho contínuo pelos refugiados, incluindo ações ligadas ao esporte e à formação de jovens deslocados.
Fonte: O Antagonista









