Para saber se um banco ou instituição financeira é confiável, são usados indicadores em três pilares principais: solidez financeira, proteção ao cliente e regulamentação.
Quais os principais indicadores de confiabilidade dos bancos?
O nível de aprofundamento da pesquisa sobre a companhia vai depender do seu nível de conhecimento técnico. O especialista Marcos Piellusch, professor da FIA Business School, explica os principais critérios.
1. A instituição cumpre os requisitos básicos de segurança?
O mínimo para qualquer banco é ser autorizado e regulamentado pelo Banco Central (BC). O órgão define níveis mínimos de capital para cada tipo e porte de instituição, obrigações de segurança cibernética e compliance mínimas, além de exigências para auditorias e relatórios.
No caso de instituições financeiras que mediam aplicações de investimento, também é preciso ter autorização da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
Além disso, é preciso ter a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante a devolução dos seus investimentos e depósitos em até R$ 250 mil por CPF e instituição financeira quando um banco quebra ou entra em falência.
2. O banco tem capital suficiente?
É o mínimo de dinheiro próprio que uma instituição financeira deve ter para cobrir riscos de empréstimos e investimentos. Também conhecido como Patrimônio de Referência, costuma ser medido pelo Índice de Basileia, que avalia a saúde financeira dos bancos.
“O limite mínimo definido pelo Banco Central é de 11%, e o sistema tem uma média geral de 17%”, conta Piellusch. “Claro que há tanto instituições acima e abaixo desse valor”.
Um exemplo: se o banco tem um Índice de Basileira de 15%, significa que tem R$15 de capital próprio para cada R$ 100 emprestados.
3. Qual o rating de crédito?
“O rating de crédito é uma nota dada por agências de avaliação de risco”, detalha o especialista.
Estas empresas medem a chance de um banco ou instituição financeira não pagar suas dívidas, com critérios como gestão de caixa, nível de endividamento e histórico de pagamentos. Notas vão de AAA, segurança máxima, até D, com alto risco de calote.
“A mudança no rating ao longo tempo é um sinal importante. Se a agência revisa a saúde financeira da empresa e a pontuação vai para baixo, é um péssimo sinal”, conta o professor da FIA Business School.
Fitch Ratings, S&P Global (Standard & Poor’s), Moody’s e Austin Rating são as principais.
4. Como a instituição financeira lida com as reclamações dos clientes?
“É uma leitura mais qualitativa da confiança dos clientes no banco”, destaca Piellusch. “O ranking do BC e o Reclame Aqui são os exemplos mais comuns.
O Ranking de Reclamações do Banco Central (BC) é uma listagem oficial que avalia bancos, financeiras e instituições de pagamento. É separado em categorias, como o Top 15 Maiores Instituições, por exemplo.
Como a classificação mede quais instituições tiveram o maior volume de reclamações consideradas procedentes — quando o cliente tinha razão — em relação ao número total de clientes, ajuda a identificar a qualidade do atendimento dos bancos.
Já o Reclame Aqui, além de manter as pontuações das empresas, tem o histórico de respostas, o que mostra se a instituição responde às necessidades dos seus clientes.
5. Rendimentos e captações estão dentro da média do setor?
“Se você nota que o banco começa a ser mais agressivo na captação ou que oferece um CDB pagando muito dinheiro, é um sinal para desconfiança”, alerta o especialista.
Ele explica que o problema está em diferenças muito grandes entre a instituição e as outras que atuam no mercado. É comum que valores de taxas de juros cobradas em empréstimos e rendimentos de aplicações de investimento tenham valores parecidos.
“É a mesma coisa de quando você vê um produto no mercado sendo vendido muito barato. Se algo remunera muito mais do que outras aplicações do mesmo tipo, é um sinal de risco maior”, conclui.
6. O que dizem os comunicados e as notícias sobre o banco?
“Se as notícias dizem que o banco tem muita inadimplência, resultado volátil ou em queda, é um indicativo importante”, lembra Piellusch.
O professor cita também os relatórios trimestrais das instituições financeiras, que são uma fonte de informação para quem gosta de se aprofundar mais nas pesquisas.
Além da inadimplência, estes documentos trazem dados como ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), margem financeira líquida, eficiência operacional e índice de cobertura para possíveis calotes.
“Outro aspecto é o da governança corporativa. Muita mudança de gestão é um ponto negativo”, avalia o especialista. “Se um diretor de risco pede demissão, por exemplo, você já sabe que o risco de ter problemas na empresa é alto”.
Quais aspectos extras de segurança cibernética merecem atenção?
Autenticação em duas etapas ou multifatorial, criptografia, limites inteligentes e uso de inteligência artificial (IA) para identificar riscos são medidas usadas pelos bancos para proteger o dinheiro, os dados e a privacidade dos seus clientes.
Conheça o site, o aplicativo e as orientações da sua instituição financeira preferida para se preparar para casos de fraudes e golpes digitais.
No Inter, por exemplo, há uma página específica de segurança que detalha ferramentas extras como o i-Safe, além de dicas que podem ser usadas no dia a dia.
Fonte: CNN









