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O Dia dos Pais de Lula e Bolsonaro


Os três filhos homens de Jair Bolsonaro que estão no Brasil não vão poder encontrá-lo neste domingo, 9, Dia dos Pais, por conta de um ato do primogênito, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O senador e candidato da família à Presidência da República leu uma carta do pai para tentar reforçar mais uma vez sua candidatura e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes enxergou um ato indevido, apesar de outras cartas já terem sido lidas sem problema.

O executor da pena de Bolsonaro fez menção à decisão de suspender visitas, tomada a partir da leitura da carta, para considerar prejudicado o pedido dos filhos para encontrar o pai.

“Moraes proibiu a mim e aos meus irmãos de visitarmos nosso pai justamente no Dia dos Pais. Tiraram a liberdade dele. Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos. Isso tem dia e hora para acabar!”, protestou Flávio.

Talvez este Dia dos Pais fosse diferente para a família Bolsonaro caso o ex-presidente não tivesse escolhido o filho para concorrer em seu nome. Mas trata-se de um projeto político-familiar, que ironicamente sobrevive com um discurso de defesa da família apesar de todas as questões familiares mal resolvidas, expostas pela revelação de trocas de mensagens agressivas e por atritos públicos.

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Provocações

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que achou que era uma boa hora para questionar a vacinação obrigatória de crianças, também resolveu remoer o atrito entre o irmão Flávio e a madrasta Michelle Bolsonaro, ao comentar a saída do senador Eduardo Girão (Novo-CE) da corrida pelo governo do Ceará, para virar vice de Romeu Zema (Novo) à Presidência.

“Já confirnaram (sic) o Girão como vice do Zema? Já pediram desculpas ao Jair Bolsonaro e ao André Fernandes?”, provocou o filho 03 de Bolsonaro.

Michelle defendia o apoio a Girão em vez da aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), crítico contumaz da família Bolsonaro e favorito nas pesquisas de intenção de voto, e tudo se tratava, no fim das contas, de quem os Bolsonaros apoiariam ao Senado no Ceará.

Enquanto Flávio tenta botar panos quentes na questão, o ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro também segue com provocações internas. “Quase me assustei com esse enredo…”, escreveu o filho 02 de Bolsonaro no X, compartilhando uma outra postagem ironizando as falas de Girão de “libertação do Ceará” e a “briga contra o crime organizado”.

“Ronaldinho dos negócios”

Se Bolsonaro escolheu o primogênito para representá-lo nas urnas neste ano, seu principal adversário carregará para a campanha presidencial um filho contra a própria vontade.

O problemático Fábio Luís Lula da Silva também não encontrará o pai neste domingo, porque está na Espanha e não demonstra intenção de voltar ao Brasil. Alvo de três inquéritos por suspeita de tráfico de influência, Lulinha se tornou um dos grandes trunfos dos adversários de pai nesta eleição.

Famoso por ter sido classificado pelo próprio Lula como “Ronaldinho dos Negócios” em seus primeiros governos, Lulinha ressurge 20 anos depois para atormentar a pretensão do pai de se reeleger mais uma vez, e não apenas pelas suspeitas de tráfico de influência.

As investigações sobre o filho de Lula também levantam desconfianças sobre a tentativa do governo petista de interferir nas apurações, conduzidas pelo ministro André Mendonça.

“Esse meu filho desde 2006 vem sendo atacado para me atacar. Dizem que ele era dono de todos os gados da Friboi, da JBS, de carro de ouro”, reclamou Lula em entrevista na qual disse que Lulinha “jura todo dia” que é inocente, O presidente negou interferência no caso.

“O maior presente que um pai pode receber”

Diante de todo esse contexto, o petista se limitou neste domingo a fazer política com o Dia dos Pais.

“O maior presente que um pai pode receber é ter mais tempo com os filhos. Tempo para acompanhar cada fase, brincar, conversar e estar presente de verdade. É por isso que estamos empenhados em acabar com a escala 6×1. Porque trabalhar é importante, mas ter tempo para viver e estar com quem a gente ama também é”, publicou o perfil do presidente no Instagram

No fim das contas, é tudo bem menos sobre família e muito mais sobre poder.

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Fonte: O Antagonista

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