A Paramount Skydance concordou em assinar contratos com as principais redes de cinema garantindo que lançará 30 filmes por ano nas salas caso adquira a Warner Bros. Discovery, de acordo com pessoas a par do assunto.
A Paramount ofereceu acordos de três anos para a AMC Entertainment e para a Regal Cinemas, do grupo Cineworld — as duas maiores redes de cinema do mundo —, exigindo que os filmes sejam exibidos com exclusividade nos cinemas por pelo menos 45 dias, segundo as pessoas, que pediram anonimato por se tratar de acordos privados. Os filmes também não poderão ser disponibilizados em streaming por pelo menos 90 dias.
O CEO da Paramount, David Ellison, já fez afirmações semelhantes em público, mas os compromissos por escrito garantem que ele não mudará de ideia depois. Caso a Paramount não cumpra a obrigação, estará sujeita a penalidades, de acordo com as fontes.
Os acordos podem servir de modelo para resolver o processo antitruste movido por 12 estados para tentar impedir a aquisição de US$ 110 bilhões da Warner Bros. pela Paramount. A Paramount já tentou negociar um acordo com o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que lidera a ação dos estados.
Os estados alegam que o negócio prejudicará o mercado de cinema porque Ellison teria controle excessivo e reduziria a produção, custando empregos. A fusão colocaria dois dos estúdios mais antigos e maiores de Hollywood — Paramount e Warner Bros. — sob o mesmo teto. O julgamento está marcado para março.
A fusão dividiu a indústria cinematográfica. A AMC e a Regal saíram em apoio a Ellison na semana passada. O CEO da AMC, Adam Aron, publicou um artigo de opinião no veículo especializado Variety, enquanto o CEO da Regal, Eduardo Acuna, disse em comunicado separado que uma longa batalha judicial seria ruim para o setor. Já a Cinema United, grupo de lobby que representa redes de cinema grandes e pequenas, continua contra o negócio. Ellison e seu círculo próximo vêm conversando com as redes há meses, buscando garantir o apoio delas.
Um jovem cinéfilo que se tornou produtor, Ellison insistiu diversas vezes que planeja aumentar a produção dos estúdios e apoiar as salas de cinema. “O acordo Paramount-Warner começou com os filmes”, escreveu ele em um artigo recente no New York Times. “Amo cinema desde que tive idade para ficar parado assistindo a um, e cenas dos filmes moldaram quem eu sou.”
Muitos sindicatos, produtores, profissionais técnicos e advogados de Hollywood estão céticos. Quando a Walt Disney Co. adquiriu o estúdio 20th Century Fox, também prometeu continuar produzindo a mesma quantidade de filmes. Na prática, a produção combinada caiu.
A Paramount está tomando emprestado quase US$ 50 bilhões para comprar uma empresa muito maior e precisará encontrar bilhões em economia de custos para pagar suas dívidas.
Ellison estava inicialmente confiante de que fecharia o negócio até o final de setembro, mas agora enfrenta o processo dos estados, além de uma ação do Sindicato dos Roteiros dos EUA (WGA). Quando o julgamento começar em março, a Paramount já deverá à Warner Bros. mais de US$ 1 bilhão em multas por atraso. Ellison tem tentado virar a opinião pública a seu favor, mobilizando aliados como o superagente de Hollywood Ari Emanuel, que também publicou um artigo apoiando o negócio.
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Fonte: Em Sergipe









