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Ave considerada extinta por quase 300 anos reaparece e volta a criar filhotes em ilha onde não se reproduzia desde os anos 1600


🐦 Um retorno que parecia impossível virou realidade

O petrel-das-Bermudas, conhecido como cahow, passou séculos tratado como desaparecido até ressurgir no século XX. Agora, a espécie volta a produzir filhotes em Nonsuch Island e transforma uma antiga ausência em um dos casos mais marcantes da conservação insular. ⬇️

O petrel-das-Bermudas voltou a ocupar um espaço que parecia perdido desde o período colonial. Redescoberto em 1951, o cahow encerrou a temporada de 2024 com 76 filhotes deixando os ninhos em toda a população monitorada, incluindo um recorde para a colônia de Nonsuch Island.

O que aconteceu com o petrel-das-Bermudas ao longo da história?

O cahow, nome popular do Pterodroma cahow, era uma ave marinha abundante nas Bermudas antes da colonização. A caça intensa e a chegada de mamíferos introduzidos derrubaram a população em poucas décadas.

Com o desaparecimento dos ninhos nas ilhas maiores ainda no século XVII, a espécie passou a ser tratada como extinta por quase 300 anos. Essa percepção só mudou quando pequenos grupos sobreviventes foram localizados em 1951.

Ave considerada extinta por quase 300 anos reaparece e volta a criar filhotes em ilha onde não se reproduzia desde os anos 1600
Ave considerada extinta por quase 300 anos reaparece e volta a criar filhotes em ilha onde não se reproduzia desde os anos 1600

Por que a ave deixou de se reproduzir em Nonsuch Island por tanto tempo?

Nonsuch Island, assim como outras ilhas maiores das Bermudas, perdeu as condições seguras para a nidificação depois da introdução de ratos, gatos, cães e porcos. A pressão humana antiga também agravou o colapso da espécie.

Sem locais protegidos para botar ovos e criar filhotes, o cahow ficou restrito a poucos pontos mais seguros no arquipélago. Isso manteve a espécie viva, mas longe de áreas históricas onde ela já havia nidificado antes dos anos 1620.

Como Nonsuch Island voltou a ter ninhos da espécie?

A recuperação em Nonsuch nasceu de um programa de translocação que transferiu filhotes para a ilha entre 2004 e 2017. A ideia era fazer com que esses jovens retornassem mais tarde ao local para formar uma nova colônia reprodutiva.

O primeiro filhote produzido pela nova população de Nonsuch surgiu em 2009. Desde então, a ilha deixou de ser apenas um símbolo do desaparecimento histórico e passou a representar uma frente concreta de expansão da espécie.


Marco
Quando
Significado

Fim da nidificação

Anos 1620

Nonsuch deixa de ter cahows reprodutivos

Redescoberta

1951

A espécie deixa de ser tratada como perdida para sempre

Primeiro filhote em Nonsuch

2009

Translocação começa a dar resultado

Nova fase produtiva

2024

Recorde da subcolônia em Nonsuch

Quais números marcaram a temporada de 2024?

A temporada terminou com 76 filhotes deixando os ninhos em toda a colônia monitorada, número ligeiramente abaixo do recorde geral de 78 obtido em 2021. Ainda assim, 2024 trouxe a melhor marca já registrada especificamente em Nonsuch Island.

Nas colônias de translocação de Nonsuch, 25 filhotes deixaram os ninhos, contra 19 no ano anterior. O avanço reforçou que a ilha voltou a ter papel central na recuperação do cahow.


Indicador
Número
Leitura

Filhotes na população total

76

Resultado de 2024 em toda a colônia

Recorde geral anterior

78

Melhor temporada global, em 2021

Filhotes em Nonsuch

25

Novo recorde da subcolônia

Filhotes em Nonsuch no ano anterior

19

Base de comparação para o aumento

Que riscos ainda ameaçam o cahow nas Bermudas?

Mesmo com a melhora, o programa de conservação aponta que erosão, enchentes ligadas à elevação do nível do mar e furacões mais fortes continuam pressionando os locais de reprodução. Poluentes orgânicos persistentes também ainda afetam o sucesso reprodutivo.

Nonsuch tem uma vantagem importante por ser maior e mais alta que outras áreas de nidificação, mas isso não elimina a necessidade de vigilância. O trabalho recente ampliou câmeras, monitoramento e controle de roedores para reduzir perdas.

As principais pressões atuais aparecem em cinco frentes:

  • Erosão das áreas de nidificação.
  • Inundações ligadas à elevação do nível do mar.
  • Furacões mais intensos sobre o arquipélago.
  • Poluentes persistentes acumulados na cadeia marinha.
  • Risco contínuo de roedores e outros predadores introduzidos.

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Por que essa volta tem peso tão grande para a conservação?

O retorno do cahow a Nonsuch Island mostra mais do que a sobrevivência de uma espécie rara. Ele prova que uma ave tratada como extinta por séculos pode voltar a ocupar áreas históricas quando o manejo é mantido por tempo suficiente.

Também reforça o valor de programas longos, porque a recuperação não veio de uma única temporada favorável. O primeiro filhote em Nonsuch nasceu em 2009, e a marca de 2024 mostra como décadas de proteção podem transformar um símbolo de perda em um caso real de reconstrução.





Fonte: O Antagonista

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