Toda eleição é a mesma coisa: Fernando Haddad (ao centro na foto) se apresenta como candidato meio a contragosto e a militância petista faz um esforço hercúleo para carregá-lo ao longo da campanha, fingindo que ele é um bom concorrente e desempenha um ótimo papel nos debates.
O roteiro voltou a se desenrolar no domingo, 9, durante o primeiro debate da corrida pelo Palácio dos Bandeirantes deste ano, promovido pela Band. Sempre parecendo fora de lugar, Haddad criticou o governo Tarcísio, que tem motivos para ser criticado, como qualquer governo, mas sem conseguir demonstrar firmeza, como de costume, e, principalmente, sem conseguir cativar.
O governador de São Paulo também não é exatamente carismático, mas consegue exibir domínio e certeza sobre o que diz, e preserva a aura de executor criada durante o governo de Jair Bolsonaro, quando atuou como ministro da Infraestrutura, ao citar números com naturalidade.
Ganhou?
Ao fim do debate, a militância petista se apressou, mais uma vez, a dizer que Haddad “ganhou” o debate, e há até gente espalhando que o ex-ministro da Fazenda foi dado como vitorioso em trackings. Só se os trackings tiverem medido seu desempenho em outro debate.
O fato é que Haddad simplesmente não tem vocação para a política, o que lhe valeu uma derrota na disputa pela reeleição à Prefeitura de São Paulo ainda no primeiro turno.
Haddad não tem essa vocação assim como, aliás, não tinha Fernando Henrique Cardoso, com quem o petista costuma ser comparado, por seu caráter mais acadêmico.
A diferença é que FHC teve o Plano Real em que apoiar a carreira política. Já Haddad voltou a culpar, no debate de domingo, Roberto Campos Neto pela situação econômica do país, algo que os petistas tinham deixado de fazer desde que Gabriel Galípolo assumiu o Banco Central.
Primeiro turno
Se Haddad é de fato o melhor candidato, como afirma a militância petista a cada debate, por que Tarcísio apareceu nesta segunda-feira, 10, como o provável vencedor da eleição pelo governo de São Paulo ainda no primeiro turno na pesquisa em pesquisa Ideia?
O ex- ministro da Fazenda é um candidato muito difícil de carregar.
Fonte: O Antagonista









