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Marca de decoração fecha todas as 60 lojas e 900 trabalhadores se despedem após acordo salvar apenas o nome


O Antagonista
O que você vai ver
  •  Qual marca teve esse tipo de recompra.
  •  O que é uma administração pré-empacotada.
  •  O que ficou de fora do acordo.
  •  O que aconteceu com a marca depois disso.

Uma marca britânica de decoração e estampas florais entrou em processo de administração judicial em 2020, mas o desfecho teve uma particularidade pouco comum: o mesmo grupo que já controlava a empresa foi quem comprou de volta a parte que interessava, através da própria insolvência.

Qual marca teve esse tipo de recompra?

A marca é a Cath Kidston, fundada em 1993 e conhecida por estampas florais aplicadas a produtos de decoração, bolsas e artigos de casa, que se tornaram uma identidade visual reconhecível no varejo britânico ao longo de quase três décadas.

Em 2020, a empresa entrou em administração judicial, processo que resultou no fechamento das 60 lojas que mantinha no Reino Unido e na eliminação de mais de 900 postos de trabalho.

O que é uma administração pré-empacotada?

A recompra da Cath Kidston foi estruturada como uma “administração pré-empacotada”, mecanismo em que o próprio dono ou um comprador já definido negocia previamente os termos de aquisição dos ativos “saudáveis” de uma empresa, antes mesmo do processo formal de insolvência ser aberto publicamente.

No caso da Cath Kidston, quem recomprou a marca foi a Baring Private Equity Asia, fundo que já era proprietário da empresa antes da administração, mantendo o negócio digital, o atacado e as operações de franquia, mas descartando a rede própria de lojas físicas no processo.

Cath Kidston em datas

 
1993
fundação da marca, no Reino Unido.

 
2020
administração judicial e recompra pela própria Baring Private Equity Asia.

 
2023
venda da marca à rede Next, por £8,5 milhões.

O que ficou de fora do acordo?

As 60 lojas físicas que a Cath Kidston mantinha no Reino Unido, e os mais de 900 empregos diretamente ligados a elas, ficaram completamente fora da recompra: o acordo preservou apenas o site, o negócio de atacado e as franquias, não a operação de varejo próprio presencial.

  • 60 lojas físicas fechadas no Reino Unido.
  • Mais de 900 postos de trabalho eliminados.
  • Site, atacado e franquias preservados na recompra.
  • Recompra feita pelo mesmo grupo que já controlava a empresa antes da administração.

A trajetória da Cath Kidston não parou na recompra de 2020: em 2022, a Hilco Capital fechou um novo acordo de insolvência com a Baring Private Equity Asia, movimento que levou ao fechamento da maior parte das lojas remanescentes, e em 2023 a marca foi vendida à rede britânica Next por £ 8,5 milhões.

Sob o controle da Next, a Cath Kidston chegou a anunciar o retorno a lojas físicas no Reino Unido cerca de um ano depois, mostrando como uma marca pode passar por múltiplos ciclos de colapso, venda e reinvenção ao longo de poucos anos.

Um mecanismo parecido de recompra seletiva, preservando marca e canais digitais enquanto descarta lojas físicas, também apareceu no caso de Debenhams, comprada pela Boohoo sem incluir a operação física original.

Mais detalhes sobre a trajetória da marca estão disponíveis na InternetRetailing.

Marca de decoração fecha todas as 60 lojas e 900 trabalhadores se despedem após acordo salvar apenas o nome
Marca de decoração fecha todas as 60 lojas e 900 trabalhadores se despedem após acordo salvar apenas o nome

Por que administrações pré-empacotadas geram controvérsia?

Esse tipo de acordo costuma ser criticado por credores não garantidos e por trabalhadores dispensados, porque o comprador final, muitas vezes ligado ao próprio dono anterior, consegue adquirir os ativos mais valiosos da empresa livre de dívidas antigas e de obrigações trabalhistas específicas, enquanto quem ficou de fora do acordo tem poucas chances reais de recuperar o que lhe era devido.

Reguladores britânicos já debateram diversas vezes regras mais rígidas para esse tipo de operação, exatamente por causa de casos como o da Cath Kidston, em que a mesma estrutura de controle permanece essencialmente a mesma antes e depois da insolvência, enquanto lojas e empregos ficam pelo caminho.





Fonte: O Antagonista

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