A mobilidade elétrica deixou de ser uma promessa para o futuro e hoje se consolida como uma realidade no mercado automotivo brasileiro. Acompanhando a expansão global, a participação dos veículos eletrificados nas vendas de automóveis novos no país atingiu patamares inéditos, representando agora 21% do total de emplacamentos até o sétimo mês de 2026.
Esse crescimento é impulsionado pela chegada de novas fabricantes, pela ampliação da oferta de modelos, pelos anúncios de produção nacional e por investimentos contínuos na rede de recarga.
Com mais automóveis movidos a bateria rodando pelas ruas e rodovias brasileiras, é natural que o interesse do público aumente na mesma proporção em que surgem as dúvidas, especulações e informações desencontradas. Questões sobre o real impacto ambiental no ciclo de vida do veículo, a durabilidade das baterias, a capacidade da infraestrutura de carregamento fora de casa e a segurança do sistema de alta voltagem costumam gerar hesitação em quem planeja migrar para a tecnologia.
A CNN Brasil separa os fatos dos mitos populares, com base no material da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) e órgãos internacionais de segurança, adaptando as análises para o cenário e a infraestrutura brasileira.
Eficiência e impacto ambiental no ciclo de vida
1° Mito: elétricos poluem mais que carros a combustão
Fato: veículos elétricos têm zero emissão de escapamento e mantêm pegada de carbono total inferior à de automóveis a gasolina, mesmo considerando a eletricidade utilizada no carregamento.
A principal vantagem reside na eficiência energética: motores elétricos convertem entre 87% e 91% da energia contida na bateria e regenerada nas frenagens em movimento, contra apenas 16% a 25% de aproveitamento do combustível nos motores a gasolina.
2° Mito: a fabricação da bateria torna o carro elétrico prejudicial à crise climática
Fato: embora a produção inicial das baterias exija maior consumo de energia do que a fabricação de um motor tradicional, as emissões totais ao longo de todo o ciclo de vida do veículo (manufatura, uso e descarte) continuam sensivelmente menores no modelo elétrico.
O benefício do uso sem emissões compensa o impacto industrial inicial durante a rodagem. Além disso, a reciclagem do pacote de baterias reduz progressivamente a necessidade de extração de novas matérias-primas.
Vida útil e durabilidade das baterias
3° Mito: a bateria estraga rápido e precisa ser trocada em poucos anos
Fato: falhas graves que exigem a substituição completa do conjunto de baterias são raras. Estudos que acompanharam cerca de 15 mil veículos indicam uma taxa de substituição por defeito de 2,5%, número que cai para menos de 0,5% em automóveis produzidos a partir de 2016.
Dados do setor mostram que 97,5% dos elétricos em circulação mantêm o pacote original de fábrica.
Redes elétricas e infraestrutura de recarga
4° Mito: a frota de elétricos causará o colapso do sistema de energia
Fato: O aumento da demanda energética pode ser gerenciado por estratégias inteligentes de carregamento. A recarga em horários de menor consumo, como durante a noite, aproveita a capacidade ociosa do sistema elétrico. Adicionalmente, tecnologias como o Vehicle-to-Grid (V2G) permitem que os automóveis funcionem como unidades estáticas de armazenamento, devolvendo energia para a rede em momentos de pico de consumo.
5° Mito: Não existem locais suficientes para carregar o veículo
Fato: A infraestrutura de recarga vem se expandindo de forma acelerada. No Brasil, o número de pontos públicos e semipúblicos saltou de cerca de 350 em 2019 para mais de 25 mil conectores em operação. O mercado nacional migrou de investimentos isolados de montadoras para a atuação de empresas focadas exclusivamente na gestão de redes, ampliação de carregadores rápidos em rodovias e integração de serviços via aplicativo.
Autonomia diária e rigor em testes de colisão
6° Mito: o carro elétrico não tem autonomia suficiente para o uso diário
Fato: a capacidade dos modelos atuais atende com folga as necessidades de trajetos urbanos e viagens. No mercado brasileiro, diversos modelos oferecem alcances expressivos, a exemplo do Chevrolet Blazer EV (481 km), Volvo EX90 (459 km) e BMW iX3 (570 km). Embora condições climáticas extremas possam afetar o consumo, os sistemas de gerenciamento térmico garantem regularidade no uso rotineiro.
7° Mito: veículos elétricos são menos seguros que os modelos tradicionais
Fato: veículos elétricos seguem os mesmos padrões e normas de homologação e segurança exigidos para qualquer automóvel do mercado. Em situações de impacto ou curto-circuito, o sistema elétrico de alta voltagem é automaticamente isolado e desligado por dispositivos de proteção. Prova do rigor da categoria é que modelos 100% elétricos, como o BMW iX3 e o Zeekr 7GT, conquistaram a nota máxima de 5 estrelas nos mais recentes testes do Euro NCAP.
Fonte: CNN









