Home / Últimas Notícias / A ferrovia nas nuvens construída a mais de 5.000 metros onde os passageiros recebem oxigênio para atravessar o teto do mundo

A ferrovia nas nuvens construída a mais de 5.000 metros onde os passageiros recebem oxigênio para atravessar o teto do mundo


A Ferrovia Qinghai-Tibet atravessa um dos ambientes mais hostis já enfrentados por uma linha ferroviária. Em seu ponto máximo, os trilhos chegam a 5.072 metros acima do nível do mar, onde o ar rarefeito e o solo permanentemente congelado transformaram uma ferrovia convencional em um enorme desafio de engenharia. Até os vagões precisaram ser preparados para ajudar os passageiros a respirar durante a travessia.

Por que a Ferrovia Qinghai-Tibet precisou subir acima dos 5.000 metros?

A linha liga Xining, na província de Qinghai, a Lhasa, no Tibete, totalizando aproximadamente 1.956 quilômetros. Seu trecho mais impressionante atravessa o Planalto Tibetano e alcança 5.072 metros no Passo de Tanggula, reconhecido como o ponto ferroviário mais elevado do mundo.

Mais de 960 quilômetros da ferrovia ficam acima dos 4.000 metros. Nessas condições, pressão atmosférica, frio, tempestades e baixa concentração de oxigênio criam dificuldades tanto para os passageiros quanto para máquinas e trabalhadores. Além disso, centenas de quilômetros foram construídos sobre regiões de permafrost, um terreno que pode perder estabilidade quando descongela.

Leia também: A ave engenhosa que usa ferramentas da natureza e atira insetos e pedaços de pão na água como isca para pescar peixes desavisados

Como a Ferrovia Qinghai-Tibet ajuda os passageiros a respirar?

Os trens destinados às grandes altitudes receberam sistemas especiais de fornecimento de oxigênio. Em vez de depender apenas do ar ambiente encontrado a mais de 4.000 metros, os vagões conseguem enriquecer o ar interno e também oferecem pontos para fornecimento individual quando necessário.

Entre as soluções utilizadas estão:

  • Sistema coletivo de enriquecimento de oxigênio.
  • Pontos individuais para fornecimento adicional.
  • Tubos conectáveis aos pontos de oxigênio.
  • Vagões preparados para condições de grande altitude.
  • Sistemas específicos de ventilação e controle do ambiente interno.

Um vídeo da BBC mostra uma viagem pela ferrovia e apresenta justamente os sistemas de oxigênio disponíveis aos passageiros durante a passagem pelas regiões mais altas. O material ajuda a entender por que respirar normalmente pode se transformar em parte do desafio ferroviário nessa altitude.

A Ferrovia Qinghai-Tibet possui vagões pressurizados como os de um avião?

A comparação com aviões precisa de cuidado. Os trens possuem controle ambiental e fornecimento suplementar de oxigênio, mas não funcionam exatamente como a cabine pressurizada de um avião comercial. A solução procura elevar a concentração de oxigênio disponível e permite que passageiros utilizem alimentação individual quando necessário.

Por isso, dizer que todos precisam obrigatoriamente usar uma “máscara de avião” durante a viagem também seria exagerado. Existem pontos de oxigênio e sistemas próprios de distribuição, enquanto a necessidade individual varia conforme cada passageiro e sua resposta à altitude. A engenharia foi projetada justamente para diminuir os efeitos do ar rarefeito dentro dos vagões.

Como os engenheiros impediram que o solo congelado destruísse os trilhos?

O permafrost apresentou um problema ainda mais difícil. Quando permanece congelado, esse solo consegue sustentar estruturas; quando aquece e o gelo interno derrete, pode perder volume e sofrer deformações. Isso poderia provocar recalques, inclinação dos trilhos e danos à ferrovia.

Desafio Solução
Permafrost Termossifões e aterros especiais
Calor solar Proteções e técnicas de resfriamento
Trechos vulneráveis Ferrovias elevadas sobre viadutos

Uma das tecnologias mais curiosas são os termossifões de duas fases. Esses tubos transferem calor do terreno para o ambiente frio e ajudam a preservar o permafrost. Pesquisas sobre a estabilização térmica da Ferrovia Qinghai-Tibet documentam o uso dessa tecnologia em trechos da linha, inclusive com fluidos refrigerantes como amônia.

Os tubos realmente refrigeram a terra durante o ano inteiro?

Não são aparelhos de ar-condicionado subterrâneos funcionando continuamente com motores. Os termossifões aproveitam diferenças naturais de temperatura para transportar calor, trabalhando de maneira particularmente eficiente quando o ar externo está mais frio do que o solo. O fluido interno evapora e condensa, carregando energia térmica para fora do terreno.

Além dos tubos, engenheiros utilizaram aterros com pedras capazes de favorecer circulação de ar, proteções contra radiação solar e longos trechos elevados. Aproximadamente 550 quilômetros da ferrovia atravessam terrenos de permafrost, tornando sua estabilidade um problema permanente de monitoramento, especialmente diante do aquecimento climático.

Sistema individual de oxigenio para passageiros nos vagoes da Ferrovia Qinghai-Tibet
Sistema individual de oxigenio para passageiros nos vagoes da Ferrovia Qinghai-Tibet

Por que essa ferrovia nas nuvens continua sendo uma obra tão incomum?

A magnitude aparece na combinação dos extremos. Há trilhos acima dos 5.000 metros, estações em altitudes quase inimagináveis para uma ferrovia convencional, vagões com oxigênio suplementar e fundações projetadas para impedir que o próprio terreno descongele sob a infraestrutura.

A Ferrovia Qinghai-Tibet não venceu apenas uma montanha. Seus engenheiros precisaram administrar simultaneamente ar rarefeito, frio intenso e um solo cuja estabilidade depende de continuar congelado. É justamente essa combinação que transformou a linha em uma das experiências mais extraordinárias da engenharia ferroviária moderna.





Fonte: O Antagonista

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *