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Companhia aérea coloca todos os aviões no chão e 1.450 trabalhadores ficam diante da despedida coletiva


O Antagonista
O que você vai ver
  •  Qual companhia aérea colocou os aviões no chão.
  •  Por que uma gigante do Catar não conseguiu salvar a empresa.
  •  Quanto a empresa vinha perdendo por ano.
  •  Como foi o processo final de encerramento.

Uma gigante das companhias aéreas do Oriente Médio queria continuar investindo numa companhia aérea italiana em dificuldade, mas uma regra específica sobre propriedade estrangeira de empresas aéreas europeias impediu que ela sozinha bancasse o resgate. O resultado foi a liquidação total da companhia em 2020.

Qual companhia aérea colocou os aviões no chão?

A companhia é a Air Italy, que começou a operar em março de 2018, sucessora da antiga Meridiana, controlada em 51% pela Alisarda, holding ligada ao Aga Khan, e em 49% pela Qatar Airways.

Em 11 de fevereiro de 2020, após reunião de acionistas, a empresa entrou em liquidação voluntária, interrompendo os voos e colocando até 1.450 empregos em risco, concentrados principalmente entre as bases de Milão e Olbia.

Por que uma gigante do Catar não conseguiu salvar a empresa?

A Qatar Airways declarou publicamente que continuava disposta a investir na companhia, mas afirmou que isso só seria possível com o comprometimento de todos os acionistas envolvidos, incluindo a Alisarda, que decidiu não injetar mais recursos no negócio.

O impasse tinha uma barreira legal por trás: regras europeias de aviação limitam a participação de investidores estrangeiros a no máximo 49% de uma companhia aérea da União Europeia, o que impedia a Qatar Airways de assumir sozinha o controle e o financiamento total da operação, mesmo tendo recursos disponíveis para isso.

Prejuízos em queda livre

2017prejuízo de cerca de R$ 240 milhões.

2018prejuízo salta para cerca de R$ 960 milhões.

2019prejuízo estimado em cerca de R$ 1,2 bilhão.

Quanto a empresa vinha perdendo por ano?

Os prejuízos da Air Italy cresceram rapidamente ao longo dos poucos anos de operação: cerca de R$ 240 milhões em 2017, saltando para aproximadamente R$ 960 milhões em 2018, e uma estimativa de cerca de R$ 1,2 bilhão em 2019, trajetória insustentável para uma companhia relativamente nova no mercado.

  • Março de 2018: início das operações da Air Italy.
  • Prejuízos crescentes entre 2017 e 2019.
  • Estimativa de necessidade de mais de R$ 3 bilhões em recursos para os anos seguintes.
  • 11 de fevereiro de 2020: decisão de liquidação voluntária pelos acionistas.
  • Até 1.450 empregos afetados, concentrados em Milão e Olbia.

Segundo estimativas do próprio setor, a companhia precisaria de mais de R$ 3 bilhões em recursos adicionais para se manter operando nos dois ou três anos seguintes, valor que nenhum dos dois acionistas principais estava disposto a bancar sozinho diante da recusa do outro em participar.

Como foi o processo final de encerramento?

Apesar da liquidação, a Air Italy garantiu que passageiros com voos já marcados até 25 de fevereiro de 2020 fossem realocados em outras companhias aéreas, numa tentativa de reduzir o impacto imediato sobre clientes durante a fase final de encerramento das operações.

Companhia aérea coloca todos os aviões no chão e 1.450 trabalhadores ficam diante da despedida coletiva
Companhia aérea coloca todos os aviões no chão e 1.450 trabalhadores ficam diante da despedida coletiva

Como o caso repercutiu no mercado aéreo italiano?

O colapso da Air Italy reacendeu comparações com a situação crônica da Alitalia, companhia aérea tradicional do país que enfrentava dificuldades financeiras havia anos, e reforçou a percepção de que o mercado aéreo italiano seguia particularmente instável naquele período, mesmo com investidores estrangeiros dispostos a colocar dinheiro no setor.

Um impasse parecido entre sócios com posições divergentes sobre continuar ou não investindo também apareceu no caso da Lucky’s Market, quando a Kroger decidiu abandonar o investimento antes da falência.

Mais detalhes sobre o processo estão disponíveis na CNBC.





Fonte: O Antagonista

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