6 de julho de 2023 REUTERS/Aly Song ” data-large-file=”https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/07/2026-07-13T132429Z_1_LYNXMPEM6C0QG_RTROPTP_4_GLOBAL-AI-ECONOMY.jpg?fit=1250%2C833&quality=70&strip=all” />
Os temores de que a inteligência artificial provoque uma onda de destruição de empregos nos Estados Unidos ainda não encontram respaldo nos dados agregados da economia, segundo relatórios recentes do Bank of America (BofA) e do Morgan Stanley.
Para os dois bancos americanos, os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho continuam limitados, embora já existam evidências de pressão crescente sobre trabalhadores mais jovens e ocupações com maior exposição à IA.
O BofA tem um diagnóstico relativamente otimista e afirma que a IA tende a substituir tarefas específicas, e não ocupações inteiras, repetindo o padrão observado em outras grandes transformações tecnológicas. Até agora, os dados sugerem que a adoção da tecnologia não tem produzido perdas líquidas relevantes de empregos na economia americana.
Segundo o levantamento, há pouca correlação entre exposição à inteligência artificial e crescimento do emprego entre 206 setores analisados. Além disso, o banco também encontrou relação limitada entre o uso de IA pelas empresas e a demanda por mão de obra, medida por vagas abertas e nível de emprego.
Embora também descarte um impacto macroeconômico significativo por enquanto, o Morgan Stanley identifica evidências crescentes de que a IA já começa a afetar determinados grupos de trabalhadores.
O banco afirma que a desorganização provocada pela inteligência artificial no mercado de trabalho continua “modesta, mas cada vez mais visível”. A instituição estima que o fenômeno pode estar adicionando até 0,15 ponto percentual à taxa de desemprego dos Estados Unidos, acima dos 0,10 ponto observados no fim de 2025.
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A análise mostra que ocupações mais expostas à IA vêm registrando aumento mais acentuado do desemprego desde 2023. Após ajustes estatísticos para eliminar efeitos do ciclo econômico, a taxa de desemprego desses grupos está cerca de 0,5 ponto percentual acima do que seria esperado em condições normais de mercado.
O Morgan Stanley destaca ainda que trabalhadores dessas ocupações estão demorando mais para conseguir recolocação profissional e enfrentam maior dificuldade para retornar ao mercado após perder o emprego.
Jovens concentram maiores riscos
O principal foco de preocupação dos dois bancos está nos trabalhadores mais jovens.
O BofA aponta que as taxas de desemprego entre recém-formados e profissionais de 22 a 27 anos permanecem acima dos níveis observados antes da pandemia. Embora parte desse movimento possa ter sido influenciada por incertezas econômicas e comerciais recentes, o banco afirma que a IA pode estar contribuindo para a piora das condições de entrada no mercado de trabalho.
O Morgan Stanley chega a conclusão semelhante. Segundo a instituição, os profissionais de 22 a 27 anos representam o grupo em que os sinais de disrupção são mais evidentes. O desemprego de jovens em ocupações altamente expostas à IA continua crescendo e abriu uma distância relevante em relação aos trabalhadores menos expostos à tecnologia.
Para o banco, os profissionais em início de carreira podem estar funcionando como a “linha de frente” dos ajustes promovidos pela adoção da inteligência artificial.
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Ao mesmo tempo em que pode reduzir a demanda por algumas funções, a inteligência artificial também está impulsionando contratações em setores ligados à infraestrutura tecnológica.
O BofA destaca que a corrida por data centers e investimentos em IA tem estimulado a geração de empregos na construção civil e na manufatura. Somente neste ano, a construção não residencial adicionou cerca de 95 mil vagas, enquanto setores industriais ligados à infraestrutura de IA criaram aproximadamente 32 mil empregos. Juntos, esses segmentos respondem por cerca de um quarto dos novos postos de trabalho privados gerados em 2026.
Esse movimento ajuda a explicar por que os efeitos negativos observados em determinadas categorias profissionais não aparecem com a mesma intensidade nos indicadores agregados de emprego.
Mais produtividade do que cortes?
Outro ponto destacado pelo Morgan Stanley é que a narrativa corporativa sobre IA continua mais associada a ganhos de produtividade do que a demissões em massa.
Segundo levantamento do banco, cerca de 13% das empresas do S&P 500 mencionaram a relação entre inteligência artificial e trabalho em suas teleconferências de resultados mais recentes. Houve inclusive aumento das referências à criação de empregos e redução das menções ligadas à substituição de funcionários.
As discussões mais frequentes envolvem automação, desaceleração no ritmo de contratações e aumento da produtividade por funcionário, permitindo que a receita cresça mais rapidamente do que o quadro de pessoal.
Fonte: Em Sergipe











