A família que encontra rachaduras nas paredes depois de uma escavação ao lado deve tratar o problema como possível risco estrutural, não apenas como defeito de pintura. Quando a obra atinge o solo próximo à fundação, o proprietário pode exigir avaliação técnica, medidas de segurança e reparação dos danos, desde que seja demonstrada a relação entre a intervenção e as fissuras.
A obra do vizinho pode escavar perto da fundação?
O proprietário pode construir em seu terreno, mas precisa preservar a segurança dos imóveis próximos. O artigo 1.311 do Código Civil proíbe obra ou serviço capaz de provocar desmoronamento, deslocamento de terra ou comprometimento do prédio vizinho sem a execução prévia das medidas de proteção necessárias.
Escoramento, contenção do solo, controle de vibrações e análise das fundações podem ser necessários conforme a profundidade e a proximidade da escavação. Mesmo quando foram adotadas medidas preventivas, o proprietário prejudicado mantém o direito de buscar ressarcimento pelos danos efetivamente causados.
Quais sinais exigem avaliação urgente?
Nem toda fissura representa risco de desabamento, mas o formato, a espessura e a evolução precisam ser analisados por profissional habilitado. A família deve evitar preencher ou pintar as marcas antes da vistoria. Alguns sinais exigem atenção imediata:
Quais sinais podem indicar danos estruturais no imóvel?
- 1Rachaduras diagonais próximas a portas e janelas.
- 2Trincas que aumentam em poucos dias.
- 3Separação entre parede, piso e teto.
- 4Portas ou janelas que começaram a emperrar.
- 5Afundamento, inclinação ou desnivelamento do piso.
- 6Estalos, queda de revestimento ou movimentação do terreno.
O que o engenheiro deve verificar no imóvel?
O engenheiro pode comparar o padrão das rachaduras com a posição da escavação, examinar o solo, identificar recalques e verificar se houve movimentação próxima à fundação. Dependendo do caso, será necessária a participação de especialista em estruturas, fundações ou geotecnia, com emissão de relatório acompanhado do respectivo registro de responsabilidade técnica.
A avaliação deve indicar o grau de risco, as medidas emergenciais e a técnica correta de recuperação. Para permitir uma comparação consistente, o proprietário pode entregar ao profissional:
- fotos da casa anteriores à obra vizinha;
- imagens atuais com data e referência de escala;
- planta estrutural ou projeto da residência;
- datas aproximadas da escavação e das primeiras rachaduras;
- vídeos de máquinas, vibrações ou retirada de terra;
- vistoria cautelar realizada antes do início da construção.
Quem deve pagar os reparos das rachaduras?
O responsável poderá ter de custear contenção, estabilização, recuperação estrutural e acabamentos quando o laudo comprovar que a escavação causou ou agravou os danos. A responsabilidade pode envolver o proprietário da obra, a construtora e outros participantes, conforme os contratos, a execução dos serviços e as conclusões técnicas. Apenas cobrir as trincas com massa não resolve eventual movimentação da fundação.

Como agir se houver risco ou recusa do vizinho?
Se as rachaduras estiverem crescendo, houver estalos ou sinais de movimentação do solo, os moradores devem sair da área de risco e acionar a Defesa Civil pelo número 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. A prefeitura também pode fiscalizar o licenciamento da obra. Uma notificação escrita deve solicitar acesso aos projetos, identificação do responsável técnico e adoção imediata das medidas de contenção indicadas.
Sem acordo, o proprietário pode buscar produção de prova técnica e medida judicial para interromper a escavação, proteger o imóvel e cobrar os reparos. Fotografias, laudo com responsabilidade técnica, orçamento e cronologia da obra serão decisivos. A prioridade é estabilizar o solo e confirmar a segurança da casa antes de discutir pintura, reboco ou indenização pelos acabamentos danificados.
Fonte: O Antagonista









