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A fenda circular de 300 metros no meio do oceano que esconde uma antiga caverna cheia de estalactites


Cercado pelas águas azul-turquesa de Belize, o Great Blue Hole parece uma abertura quase perfeitamente circular no meio do mar. Com cerca de 300 metros de largura e mais de 120 metros de profundidade, o abismo guarda nas paredes estalactites formadas quando aquele trecho ainda era uma caverna seca acima do nível do oceano.

Como o Great Blue Hole ganhou essa forma circular tão impressionante?

O local fica próximo ao centro do Lighthouse Reef, um atol situado ao largo da costa de Belize. Sua forma arredondada não foi criada por um impacto ou por uma explosão submarina. Trata-se de uma enorme formação cárstica desenvolvida em rocha calcária durante períodos em que o nível dos oceanos estava muito abaixo do atual.

A água da chuva e águas subterrâneas dissolveram lentamente o calcário e produziram cavernas, passagens e grandes espaços internos. Com o avanço e o recuo do nível do mar ao longo das glaciações, partes desse sistema foram modificadas e inundadas, dando origem ao gigantesco sumidouro marinho observado atualmente.

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O que existe escondido nas paredes dessa enorme fenda submarina?

Uma das evidências mais importantes de que o local já foi uma caverna seca está nas formações calcárias encontradas em seu interior. Estalactites precisam de condições aéreas para crescer, pois surgem a partir da lenta precipitação de minerais transportados por gotas de água no teto de cavernas.

Entre as características mais marcantes estão:

  • Cerca de 300 metros de diâmetro.
  • Mais de 120 metros de profundidade.
  • Grandes estalactites submersas.
  • Paredes e saliências formadas em rocha calcária.
  • Águas progressivamente mais escuras conforme aumenta a profundidade.

O vídeo do Jonathan Bird’s Blue World acompanha uma exploração diretamente dentro do Great Blue Hole e mostra suas paredes, profundidade e formações submersas. O registro permite visualizar as estruturas geológicas que permanecem escondidas sob a superfície.

Por que o Great Blue Hole possui estalactites debaixo do oceano?

Essas estruturas não nasceram dentro da água do mar. Elas se formaram quando o teto e as paredes da antiga caverna estavam expostos ao ar. Estudos de estalactites recuperadas no local registraram diferentes fases de formação durante períodos glaciais, quando o nível global dos oceanos estava dezenas de metros abaixo do atual.

À medida que as geleiras derreteram e o nível do mar aumentou, a antiga formação calcária foi inundada. As estalactites permaneceram onde estavam, funcionando hoje como registros naturais de condições ambientais muito anteriores à paisagem marinha atual.

O teto da antiga caverna realmente desabou para criar o buraco?

A formação é associada à dissolução cárstica do calcário e ao colapso de partes da antiga cavidade, mas a história geológica não aconteceu em um único evento repentino. Estudos indicam uma evolução longa, com mudanças no nível do mar, dissolução da rocha, formação de cavernas e instabilidade estrutural ao longo do Pleistoceno.

Característica Medida ou origem
Diâmetro Cerca de 300 metros
Profundidade Mais de 120 metros
Rocha predominante Calcário
Origem Sistema cárstico posteriormente inundado

Por isso, dizer apenas que “o teto caiu quando o mar subiu” é uma versão simplificada. A elevação do nível oceânico inundou a estrutura, enquanto a geometria atual resulta de uma combinação de processos de dissolução e colapso ocorridos em diferentes etapas.

Por que o Great Blue Hole fica azul-escuro no meio de águas tão claras?

A diferença de cor acontece principalmente devido à profundidade. As águas rasas ao redor do Lighthouse Reef refletem tons claros e turquesa porque o fundo está relativamente próximo e recebe bastante luz solar. Dentro do buraco, a coluna de água ultrapassa 120 metros e absorve muito mais luz.

A Belize Tourism Board descreve o Great Blue Hole como uma formação circular de aproximadamente 300 metros de largura e mais de 120 metros de profundidade. Vista do alto, essa diferença brusca entre a área rasa e o enorme abismo produz o círculo azul-escuro que tornou o lugar mundialmente reconhecido.

As estalactites submersas do Great Blue Hole mostram que a formação já foi uma caverna seca de calcário
As estalactites submersas do Great Blue Hole mostram que a formação já foi uma caverna seca de calcário

Há tubarões raros escondidos no fundo desse abismo?

Mergulhadores podem encontrar tubarões no Great Blue Hole e nas águas do Lighthouse Reef, incluindo espécies como tubarões-de-recife e, ocasionalmente, tubarões-martelo. Porém, não existe uma população misteriosa de “tubarões raros” vivendo permanentemente no fundo do buraco. A parte mais profunda apresenta condições bastante diferentes da superfície.

Explorações identificaram inclusive águas pobres em oxigênio nas maiores profundidades, limitando bastante a vida nesses níveis. O verdadeiro tesouro escondido não é uma fauna monstruosa, mas a geologia preservada: paredes de calcário e enormes estalactites que revelam que aquele abismo oceânico já foi uma caverna exposta ao ar.





Fonte: O Antagonista

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