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Ave que cientistas chegaram a considerar perdida volta a aparecer após quase meio século e hoje novamente ocupa áreas selvagens


A ave considerada perdida pela ciência durante quase meio século voltou a ser encontrada viva em uma região remota da Nova Zelândia. O takahē, incapaz de voar, foi redescoberto em 1948 e hoje novamente ocupa áreas selvagens graças a décadas de conservação e reintroduções.

Qual é a ave que reapareceu depois de quase meio século?

Trata-se do takahē (Porphyrio hochstetteri), uma grande ave incapaz de voar e endêmica da Nova Zelândia. O Department of Conservation da Nova Zelândia registra que a espécie foi considerada extinta por quase 50 anos.

Os últimos registros conhecidos ocorreram no fim do século XIX. Em 20 de novembro de 1948, Geoffrey Orbell e sua equipe encontraram aves vivas nas remotas montanhas Murchison, em Fiordland, encerrando décadas sem confirmação da espécie.

Ave que cientistas chegaram a considerar perdida volta a aparecer após quase meio século e hoje novamente ocupa áreas selvagens
Ave que cientistas chegaram a considerar perdida volta a aparecer após quase meio século e hoje novamente ocupa áreas selvagens

Por que os cientistas chegaram a considerar o takahē extinto?

O takahē sofreu com caça, perda de habitat, competição por alimento e predadores mamíferos introduzidos. Como a ave não voa e vive no chão, ficou especialmente exposta a animais que não faziam parte originalmente dos ecossistemas neozelandeses.

Depois de 1898, nenhum indivíduo foi confirmado por décadas. A combinação entre ausência de registros e forte declínio histórico levou à conclusão de que a espécie havia desaparecido, até que pegadas, vocalizações e buscas direcionadas levaram à redescoberta.

Como a população conseguiu crescer depois da redescoberta?

A recuperação exigiu reprodução controlada, manejo de ovos, criação de filhotes e transferência de aves para áreas protegidas. Em diferentes períodos, conservacionistas também usaram ilhas livres de predadores para formar populações de segurança longe das principais ameaças.

O Burwood Takahē Centre tornou-se uma peça importante desse trabalho. Técnicas inicialmente muito intensivas foram substituídas gradualmente por métodos que permitem aos próprios adultos incubar ovos e criar filhotes com menor intervenção humana.

Algumas etapas ajudam a entender a recuperação:

Redescoberta de uma população selvagem nas montanhas Murchison em 1948

Criação de populações de segurança em ilhas e santuários protegidos

Reprodução acompanhada para aumentar o número de filhotes sobreviventes

Novas solturas em habitats selvagens adequados na Ilha Sul

Quando o takahē voltou a ocupar novas áreas selvagens?

Uma etapa decisiva ocorreu em 2018, quando aves foram reintroduzidas no Kahurangi National Park. Em agosto de 2023, outros 18 takahē, formando nove pares, foram soltos na região de Greenstone, em Upper Whakatipu, para ampliar a presença selvagem da espécie.

O retorno ao Upper Whakatipu integrou a estratégia de estabelecer novas populações autossustentáveis. Aves também foram introduzidas em Rees Valley em 2025, expandindo novamente a área ocupada.

A trajetória mostra uma mudança rara no destino da espécie:


Momento
O que ocorreu
Importância


1948
Redescoberta em Fiordland

Uma população sobrevivente foi confirmada depois de décadas sem registros.


Espécie não estava extinta


2018
Kahurangi National Park

Takahē foram devolvidos a outra grande área selvagem da Ilha Sul.


Nova população em formação


2023 em diante
Upper Whakatipu

Novas solturas ampliaram a distribuição para Greenstone e depois Rees Valley.


Mais habitat selvagem ocupado

Quantos takahē existem atualmente?

Em maio de 2026, o Department of Conservation informou que existem pouco mais de 500 takahē. O número é muito superior aos níveis observados em momentos críticos do programa, embora a espécie continue rara e dependente de proteção constante.

O status nacional permanece como Ameaçada – Nacionalmente Vulnerável. Doninhas arminho, gatos ferais e outros mamíferos predadores continuam entre as ameaças, por isso novas áreas precisam de controle de invasores e acompanhamento das aves.

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A recuperação significa que o takahē está completamente fora de perigo?

Não. A volta às áreas selvagens mostra que décadas de conservação permitiram expandir novamente a distribuição da espécie, mas uma população pouco acima de 500 indivíduos ainda é pequena diante de eventos climáticos, doenças ou aumento de predadores.

O caso representa uma mudança incomum: uma ave considerada extinta por quase meio século não apenas reapareceu, como voltou a formar populações fora do refúgio onde foi redescoberta. O desafio agora é transformar essas reintroduções em grupos selvagens duradouros e cada vez menos dependentes de manejo.





Fonte: O Antagonista

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