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Catalisador com 75% menos de platina pode mudar o custo das células de combustível de hidrogênio


Um novo catalisador desenvolvido por pesquisadores espanhóis está chamando atenção por atacar um dos pontos mais caros das células de combustível de hidrogênio: o uso de platina.

O material utiliza uma liga de cobre e platina e, após uma pequena compressão, conseguiu apresentar desempenho praticamente equivalente ao da platina pura, mas com cerca de 75% menos desse metal precioso.

Como o novo catalisador consegue usar muito menos platina?

A pesquisa do IMDEA Materials utiliza uma liga intermetálica de cobre e platina, chamada Cu₃Pt, depositada sobre um substrato de níquel-titânio. A estratégia é aplicar uma pequena deformação mecânica para modificar a estrutura eletrônica do material.

O resultado surpreende porque uma compressão inferior a 1% já foi suficiente para aumentar significativamente a atividade catalítica.

Em escala atômica, pequenas mudanças na distância entre os átomos podem alterar a forma como a superfície interage com as moléculas da reação.

Quais números mostram o tamanho do avanço?

Os testes realizados em meio ácido indicaram que o material comprimido chegou muito perto do desempenho da platina pura.

Os principais resultados ajudam a entender por que a descoberta despertou interesse:

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Números que impressionam

Quais números mostram o tamanho do avanço?

Os resultados destacam como uma pequena quantidade de platina pode ser usada de forma muito mais eficiente no catalisador desenvolvido pelos pesquisadores.

75%

menos platina

Redução em relação ao material de referência.

855 mV

novo catalisador

Potencial alcançado nos testes experimentais.

856 mV

platina pura

Resultado obtido nas mesmas condições experimentais.

compressão

Pequena deformação capaz de modificar o comportamento do material.

0,80%

tração

Deformação associada a uma queda considerável no desempenho.

O dado que mais chama atenção:
o catalisador chegou a apenas 1 mV abaixo da platina pura, mesmo utilizando cerca de 75% menos desse metal precioso.

A diferença de apenas 1 mV entre os materiais é especialmente relevante, embora os resultados ainda sejam provenientes de testes experimentais e não de uma célula comercial operando durante milhares de horas.

Por que reduzir a platina pode ser tão importante para o hidrogênio?

A platina é extremamente valorizada por sua eficiência e estabilidade em reações eletroquímicas, mas também é cara e considerada um recurso estratégico. Diminuir sua utilização poderia reduzir a exposição da indústria aos preços e às limitações de fornecimento desse metal.

Existe ainda um efeito interessante durante o funcionamento: parte do cobre da superfície se dissolve seletivamente, deixando uma camada externa enriquecida em platina com apenas alguns nanômetros. Assim, o metal precioso fica concentrado justamente na região onde sua atuação é mais importante.

Catalisador com 75% menos de platina pode mudar o custo das células de combustível de hidrogênio
Catalisador com 75% menos de platina pode mudar o custo das células de combustível de hidrogênio (Imagem Ilustrativa)

O que ainda falta para essa tecnologia chegar ao mercado?

O resultado de laboratório é promissor, mas ainda não significa que células de combustível comerciais poderão utilizar imediatamente o novo catalisador. Os pesquisadores precisam comprovar sua durabilidade, estabilidade e viabilidade de fabricação em escala industrial.

Os principais desafios agora envolvem:

  • manter a deformação compressiva durante longos períodos;
  • avaliar a degradação após milhares de ciclos;
  • controlar a dissolução do cobre;
  • produzir o material em grandes áreas e com custo competitivo;
  • testar o catalisador dentro de células de combustível completas.

Se essas etapas forem superadas, a tecnologia poderá ajudar aplicações de células PEM em veículos pesados, transporte especializado e sistemas estacionários, reduzindo a quantidade de platina necessária sem abrir mão significativamente do desempenho.

Por que esse avanço pode ser maior do que parece?

A grande novidade não está apenas em substituir parte da platina, mas em mostrar que a deformação mecânica pode ser usada para controlar a atividade de um catalisador em escala atômica. Isso abre uma possibilidade diferente para desenvolver materiais mais eficientes sem depender exclusivamente de novas composições químicas.

O caminho até a comercialização ainda é longo. Porém, se a redução de 75% na platina puder ser mantida em equipamentos duráveis e fabricados em escala, cada grama do metal precioso poderá fazer muito mais trabalho. Para uma tecnologia que busca tornar o hidrogênio mais competitivo, essa diferença pode ser decisiva.





Fonte: O Antagonista

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