
Um relatório recente do NGO Monitor expôs as táticas de vigilância e infiltração do Hamas em organizações não governamentais (ONGs) que operam na Faixa de Gaza. O grupo terrorista monitorava meticulosamente diversos aspectos da vida dos colaboradores estrangeiros, desde suas finanças pessoais até suas crenças religiosas e comportamento nas redes sociais. O nível de detalhe impressiona: até mesmo o modo como as mulheres se vestiam era alvo de análise.
Imagine você, trabalhando em uma organização humanitária, tentando fazer o bem, e ter cada passo seu vigiado, cada postagem nas redes sociais analisada, até a roupa que você veste ser motivo de anotação. Uma jornalista, por exemplo, teve seu nome registrado com a observação de que usava “roupas de acordo com a moda devido ao seu trabalho”. Outra foi fichada por carregar “fotos constrangedoras” no celular. É uma invasão de privacidade absurda e um claro abuso de poder.
O relatório detalha como o Hamas compilava dados sobre os funcionários estrangeiros das ONGs, incluindo informações sobre suas finanças pessoais, tipo e grau de religiosidade, vínculos familiares, filiações políticas e comportamento nas redes sociais. Essa vigilância constante criava um clima de medo e intimidação, prejudicando o trabalho das organizações humanitárias e colocando em risco a vida de seus colaboradores.
Infiltração e controle
Um memorando do Hamas de 2022 descreveu a infiltração de agentes nas ONGs como “uma conquista excepcional em segurança e inteligência”. O texto afirma que todos os 55 garantidores, ligados a 48 ONGs internacionais, ocupavam cargos administrativos. Muitos deles, inclusive, possuíam formação superior em áreas como engenharia, ciência política, contabilidade e literatura. Isso demonstra a sofisticação e o planejamento por trás da estratégia do Hamas.
Em outro documento, os terroristas orientavam seus agentes a restringir a atuação de entidades que se recusassem a cooperar. Um exemplo citado envolvia a Save the Children, que teria resistido a inspeções financeiras. Em resposta, o grupo palestino recomendou a imposição de medidas contra a organização.
“Eles estão inseridos em uma estrutura institucional de coerção, intimidação e vigilância que serve aos objetivos terroristas do Hamas” – informou o NGO Monitor, ao se referir aos trabalhadores estrangeiros sob espionagem do grupo palestino.
Ameaças e resistências
Nem todas as ONGs foram facilmente cooptadas pelo Hamas. Um registro interno classificou algumas ONGs norte-americanas como “ameaças”, lamentando a dificuldade de infiltração nesses grupos e a “falta de controle de inteligência” sobre eles. Essa resistência demonstra a importância de as organizações manterem a vigilância e protegerem seus dados e informações.
O relatório também revelou que a Oxfam Internacional teria colaborado com um parceiro ligado ao Hamas em um projeto de irrigação próximo à fronteira com Israel. O NGO Monitor argumenta que não há indícios de que a Oxfam tivesse conhecimento da conexão com os terroristas, mas o caso serve de alerta para os riscos de se associar a organizações com histórico duvidoso.
O NGO Monitor destaca que, mesmo diante das evidências, muitas organizações humanitárias permanecem caladas diante dos crimes e perseguições do Hamas, mas não hesitam em condenar as mobilizações militares de Israel. Essa postura, segundo o relatório, contribui para uma narrativa distorcida que favorece o grupo terrorista. É fundamental que as organizações humanitárias denunciem os abusos do Hamas e se posicionem de forma clara e inequívoca contra o terrorismo.
É preciso que a comunidade internacional esteja atenta a essas táticas e tome medidas para proteger as organizações humanitárias e seus colaboradores. A luta contra o terrorismo exige vigilância constante e a defesa intransigente dos valores da liberdade e da democracia.
Fonte: Em Sergipe







