O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou as ameaças contra o Irã nesta quarta-feira (28), sugerindo que, se o país não concordar com uma série de exigências, sofreria um ataque “rápido e violento”.
O republicano disse que enviou uma “grande frota” para a região, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln e caças F-35. Segundo ele, o equipamento é maior do que o enviado à Venezuela.
Trump cobra que o governo iraniano negocie um acordo nuclear que “seja justo com todas as partes”, mas deixa pouco espaço para uma negativa.
“Como eu disse antes, faça um acordo. Eles não fizeram, e houve a Operação Martelo da Meia-Noite, uma grande destruição do Irã. O próximo ataque será muito pior. Não deixe acontecer de novo“, disse o mandatário.
Esse ataque atingiu instalações nucleares do Irã, onde estavam localizadas centrífugas para enriquecimento de urânio e reatores. Elas sofreram grandes danos e o presidente iraniano, Masoud Pezeshikian, apontou que iria reconstruí-las “com mais força”.
Também nesta quarta (28), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, participou de uma audiência no Congresso e reconheceu que um ataque ao Irã seria complexo. Ainda assim, reforçou as ameaças contra o país, afirmando que os protestos que tomaram conta do Irã recentemente podem voltar.
“Esse regime provavelmente está mais enfraquecido do que nunca, e o problema central que eles enfrentam, diferentemente dos protestos vistos no passado sobre outros temas, é que eles não têm uma forma de responder às cobranças centrais dos manifestantes, que é o colapso da economia”, apontou Rubio.
Autoridades iranianas refutaram a ideia de negociar sob ameaça dos Estados Unidos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que conversas só poderão ocorrer “em condições em que ameaças e demandas sejam deixadas de lado.”
“Não houve nenhum contato entre mim e o senhor Witkoff (enviado especial americano) nos últimos dias, nem um pedido de negociações por nossa parte”, afirmou Araghchi.
O presidente do parlamento do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, falou que Trump precisa ir em direção a “uma paz verdadeira”. “O mundo todo sabe, inclusive as pessoas dos EUA, que negociar sob ameaças de guerra não vai resolver nada”, disse durante entrevista à CNN.
Embora Ghalibaf tenha admitido que “existem problemas econômicos no país, alguns dos quais podem ter sido causados por má gestão”, ele rapidamente atribuiu a culpa às “pressões tirânicas” das sanções americanas.
Em relação ao aumento da presença militar dos EUA na região, Ghalibaf alertou Washington de que o Irã retaliaria caso fosse atacado, colocando milhares de militares americanos em risco.
Já o conselheiro do líder supremo do Irã, Ali Shamkhani, ameaçou que qualquer ataque dos Estados Unidos seria considerado o início de uma guerra, despertando uma reação militar do país.
Segundo reportagem do jornal The New York Times, autoridades americanas e europeias pediram o fim permanente de todo o enriquecimento de urânio, limites no alcance e na quantidade dos mísseis balísticos de Teerã e o fim do apoio a grupos de milícias no Oriente Médio, como Hamas e Hezbollah.
Fonte: CNN









