Mais de 2,7 mil pessoas foram resgatadas em situação de trabalho análogo à escravidão, de acordo com balanço das operações feitas em 2025, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego. E pela primeira vez, a maioria dos trabalhadores nessa situação, exerciam atividade nos centros urbanos, cerca de 68% dos casos registrados.
Com 601 casos em obras de alvenaria e 186 de prédios e edifícios, a construção civil foi o setor onde teve o maior número de trabalhadores resgatados. Outras atividades que também concentraram um número expressivo de resgates foram a administração pública, com 304 casos, o cultivo de café, com 184, e a extração e o britamento de pedras e outros materiais para a construção civil, com beneficiamento associado, que somaram 126 resgates.
De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a maioria dos trabalhadores resgatados tem entre 30 e 39 anos, é composta por homens e apresenta baixa escolaridade. Entre essas pessoas, 83% se autodeclaram negras (pretas ou pardas).
Para a diretora do Departamento de Fiscalização do Trabalho, Dercylete Loureiro, esse perfil evidencia trajetórias atravessadas por vulnerabilidades históricas, que mantêm parcelas da população expostas, por décadas, a condições análogas à escravidão.
Quanto à distribuição territorial, os estados que registraram o maior número de resgates foram Mato Grosso, com 607 casos; Bahia, com 482; Minas Gerais, com 393; e São Paulo, com 276 trabalhadoras e trabalhadores resgatados.
Após as operações de fiscalização, os trabalhadores resgatados passaram a ter acesso ao Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado (SDTR), benefício legal pago em três parcelas equivalentes a um salário mínimo. Além disso, foram encaminhados a políticas públicas, como os serviços de assistência social. Conforme informações do Ministério do Trabalho e Emprego, mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias foram garantidos às vítimas.
Em 2025, os auditores-fiscais do trabalho realizaram 1.594 ações voltadas ao enfrentamento do trabalho em condições análogas à escravidão. Para além dos resgates, as operações possibilitaram a regularização de direitos trabalhistas de mais de 48 mil trabalhadoras e trabalhadores.
Qualquer pessoa pode denunciar violações aos direitos dos trabalhadores de forma anônima, por meio da internet, pelo telefone 158 ou pelo Disque 100.
*Com informações da Agência Brasil
Fonte: Fan F1








