O Internacional vai ter um prejuízo de cerca de R$ 30 milhões por um episódio ocorrido há 12 anos, quando o clube decidiu demitir por justa causa o zagueiro Dalton.
Na ocasião, o Colorado soube que Dalton andou atuando em jogos de várzea, mesmo tendo contrato com o time profissional do Inter. A informação não pegou bem entre dirigentes e torcedores, o que causou a demissão do zagueiro.
Porém, não ficou por isso mesmo. A confusão gerou processos na Justiça contra o Internacional, que se arrastaram ao longo dos anos e tiveram seu desfecho em 2025. Não cabem mais recursos ao Inter.
Em um dos processos, Dalton conseguiu reverter a demissão por justa causa na Justiça do Trabalho, após uma testemunha sustentar que um diretor do clube autorizou sua participação em um campeonato amador. O ex-zagueiro garantiu então o direito de receber uma indenização de cerca de R$ 4 milhões.
Aproximadamente R$ 2,9 milhões já foram garantidos por meio de bloqueios nas contas do Inter nos últimos tempos. O clube terá que arcar com o restante. No último dia 24 de fevereiro, o ex-atleta protocolou na Justiça o pedido de cumprimento de sentença. O tribunal já mandou intimar o Inter.
O processo que terá maior prejuízo ao time gaúcho foi movido pela empresa Cityper Assessoria e Marketing Esportivo, que foi à Justiça contra o clube cobrando valores pela transferência de Dalton. A empresa havia vendido 90% dos direitos do jogador por 1,4 milhão de euros, em 2010, e ainda tinha valores a receber quando ele deixou o clube.
Porém, como Dalton foi demitido por justa causa, o Inter decidiu não pagar o restante. A Cityper processou o Inter cobrando o que ainda estava pendente, na época, 1.226.707.096,00 de euros, ou R$ 3.888.050,88, com a conversão de 2014, quando a ação foi aberta na 7ª Vara Cível do Foro Central da Comarca de Porto Alegre.
O processo se arrastou nos tribunais gaúchos ao longo dos anos. O Inter alegou que, como a demissão havia sido por justa causa, não deveria pagar nada. E ainda entrou com um pedido de reconvenção contra a empresa e Dalton, um mecanismo de contra-ataque dentro de um processo, cobrando uma indenização.
Porém, como Dalton reverteu a alegação de justa causa na Justiça do Trabalho, o clube também perdeu sua principal linha de defesa para não pagar pela transferência.
No final de 2023, o Inter foi condenado a pagar a quantia devida, já com aplicação de juros e correção monetária. O clube tentou recursos até as últimas instâncias, mas não obteve sucesso em reverter a decisão. Os valores atualizados giram em torno de R$ 22 milhões, valor que a defesa da Cityper vai começar a cobrar do clube agora.
A advogada Mariju Maciel, que representou a Cityper, ainda ingressou com uma ação cobrando honorários por ter atuado no processo. O valor da causa gira em torno de R$ 2 milhões. Porém, a sentença da ação original determinou que ela pode receber até 18% sobre os valores envolvidos, o que pode girar em torno de R$ 3,5 milhões. Fora os honorários da ação trabalhista.
No total, somando os três processos, o prejuízo do Internacional deve ficar em torno de R$ 30 milhões.
À ESPN, Mariju afirmou que tentou chegar a um acordo de maneira amigável com o clube de diversas formas na época, com o objetivo principal de readmitir o jogador no elenco Colorado, mas não conseguiu ter êxito, o que a motivou a ingressar com as ações judiciais.
Já o Internacional disse que ainda espera chegar a uma composição para tentar reduzir juros ou minimizar o prejuízo que terá com o caso. O clube segue aberto ao diálogo com as partes.
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Fonte: ESPN









