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Investigação aponta que EUA são responsáveis por ataque a escola no Irã


O Exército dos Estados Unidos atingiu acidentalmente uma escola primária iraniana, provavelmente devido a informações desatualizadas sobre uma base naval próxima, de acordo com duas fontes a par das conclusões preliminares de uma investigação militar.

O Comando Central dos EUA escolheu as coordenadas do alvo para o ataque usando informações desatualizadas fornecidas pela Agência de Inteligência de Defesa, o que contribuiu para o erro, disseram as fontes à CNN.

O ataque, segundo a mídia estatal iraniana, matou pelo menos 168 crianças e 14 professores. Ele foi realizado em 28 de fevereiro e atingiu a escola Shajareh Tayyiba, em Minab.

Isso ocorreu enquanto o Exército dos EUA realizava ataques a uma instalação da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã), que fica ao lado da escola, segundo a investigação inicial.

Em resposta a um pedido de comentário, um porta-voz da Agência de Inteligência de Defesa disse: “O incidente está sob investigação; encaminhamos o caso ao Pentágono para mais comentários”.

Um porta-voz do Comando Central dos EUA também se recusou a comentar as conclusões preliminares, alegando que a investigação ainda está em curso.

O presidente Donald Trump afirmou na quarta que desconhecia as notícias de que uma investigação militar em andamento teria concluído, pelo menos preliminarmente, que os Estados Unidos foram responsáveis ​​pelo ataque.

“Não sei sobre isso”, disse Trump quando questionado por Kristen Holmes, da CNN.

A agência Reuters foi a primeira a noticiar que investigadores militares acreditavam ser provável que os EUA estivessem por trás do ataque, e o New York Times noticiou na quarta-feira (11) que o motivo era a existência de dados desatualizados. A investigação continua em andamento.

Base fica ao lado de escola atacada no Irã

Imagens de satélite de 2013 mostraram que a escola e a base da IRGC faziam parte do mesmo complexo.

Mas imagens de 2016 revelaram que uma cerca havia sido erguida para separar a escola do restante da base e que uma entrada separada para a escola havia sido construída.

Em dezembro de 2025, imagens mostraram dezenas de pessoas aparentemente brincando no pátio da escola.

Diversas fontes disseram à CNN que a investigação preliminar é consistente com o entendimento geral, conforme novas evidências continuaram a surgir publicamente nos últimos dias: os militares dos EUA realizaram o ataque.

Um vídeo geolocalizado pela CNN, filmado de um canteiro de obras próximo e divulgado pela Mehr News, uma agência de notícias iraniana semioficial, mostra uma munição que, segundo especialistas, é compatível com um míssil de ataque terrestre Tomahawk americano, modelo BGM ou UGM-109.

O projétil atinge uma área dentro da base da Guarda Revolucionária Islâmica em 28 de fevereiro. Conforme a câmera se move para a direita, uma enorme coluna de fumaça pode ser vista na direção da escola Shajareh Tayyiba.

Trump havia afirmado anteriormente que o Irã poderia ser responsável pelo ataque, mas, quando questionado sobre por que ninguém em seu próprio governo parecia apoiar publicamente essa alegação, ele respondeu: “Porque eu simplesmente não sei o suficiente sobre isso”.

“Como o próprio New York Times reconhece em sua reportagem, a investigação ainda está em andamento”, disse a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, à CNN.

Fotos de detritos de míssil de ataque

Detritos de mísseis que autoridades iranianas afirmam ter sido recuperados dos ataques mortais parecem ser de um míssil de cruzeiro Tomahawk americano, conforme análise anterior da CNN.

Quatro fotografias dos fragmentos foram compartilhadas no Telegram pela emissora estatal iraniana, IRIB, com a legenda afirmando que eram remanescentes do ataque.

Não foi possível confirmar se os fragmentos, fotografados sobre uma mesa em frente ao prédio escolar destruído, eram do ataque à escola, de um ataque à base naval vizinha da Guarda Revolucionária Islâmica ou de outro local.

No entanto, os mísseis parecem ser compatíveis com um míssil de cruzeiro Tomahawk de fabricação americana, de acordo com uma análise da CNN e de especialistas.

O Pentágono classifica os mísseis como munições guiadas de precisão. Vários edifícios na base parecem ter sido atingidos por mísseis de precisão.

Trump rebateu a sugestão de que os EUA teriam realizado o ataque em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, na qual afirmou que o Irã também possuía mísseis Tomahawk.

Os mísseis de cruzeiro, produzidos pela empresa de defesa americana Raytheon, são detidos apenas por um pequeno grupo de aliados dos EUA autorizados a comprá-los.

Nem mesmo Israel, um dos parceiros mais próximos de Washington, os possui, e vários especialistas em munições confirmaram à CNN que o Irã também não os tem.

*Christian Edwards e Kristen Holmes, da CNN, contribuíram para esta reportagem



Fonte: CNN

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