Home / Política / Ciro Nogueira seria ‘destinatário central’ de repasses ilícitos de Vorcaro, diz PF

Ciro Nogueira seria ‘destinatário central’ de repasses ilícitos de Vorcaro, diz PF


Investigação aponta que senador recebia pagamentos mensais e utilizava mandato para favorecer interesses do dono do Banco Master

Jefferson Rudy / Agência SenadoCiro Nogueira
Senador Ciro Nogueira (PP-PI)

A Polícia Federal (PF) apontou o senador Ciro Nogueira (PP-PI) como o “destinatário central” de um esquema de vantagens indevidas supostamente financiado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. O relato consta em representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (7).

“O investigado é indicado como destinatário central das vantagens indevidas e como agente público que, em tese, instrumentalizou o exercício do mandato parlamentar em favor dos interesses privados de DANIEL BUENO VORCARO”, diz a decisão.

De acordo com o documento, a relação entre o parlamentar e o empresário contava com pagamentos mensais regulares. Os repasses teriam começado no valor de R$ 300 mil e, posteriormente, subindo para R$ 500 mil. A PF informa que as transferências eram feitas por meio de uma estrutura societária que envolvia empresas ligadas à família de Vorcaro e firmas administradas por Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador.

A investigação aponta que, em contrapartida aos pagamentos, Ciro utilizava seu cargo no Congresso Nacional para aprovar pautas que beneficiavam o Master. O inquérito cita, como exemplo, a apresentação da Emenda nº 11 à PEC nº 65/2023. A medida propunha aumentar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. Segundo os investigadores, o texto dessa emenda foi redigido pela própria assessoria do banco e entregue impresso na residência do senador.

O relatório policial detalha também outras formas de transferência de recursos. O documento cita a compra de participação societária por uma das empresas vinculadas ao irmão de Ciro Nogueira. A fatia do negócio foi adquirida por R$ 1 milhão, mas a PF estima que o valor de mercado real era cerca de R$ 13 milhões. Além disso, os investigadores listam o custeio de despesas pessoais, o pagamento de viagens ao exterior e a disponibilização de um imóvel de Vorcaro para uso do parlamentar.

Operação desta quinta

A PF realizou a 5ª fase da Operação Compliance Zero. Com autorização do ministro do STF André Mendonça, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Piauí e Distrito Federal.

Durante a operação, os agentes prenderam temporariamente Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro e apontado como o operador financeiro da estrutura. O irmão do senador, Raimundo Neto, e outro suposto operador, Bernardo Rodrigues de Oliveira Filho, também foram alvos dos mandados de busca.

A Justiça determinou a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão para os investigados, determinando a proibição de contato entre eles. Foi ordenada, ainda, a suspensão das atividades econômicas de quatro empresas suspeitas de participar da lavagem dos recursos, incluindo a Green Investimentos e a Green Energia Fundo de Investimento em Participações.

A operação investiga a prática de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e infrações contra o Sistema Financeiro Nacional.





Fonte: Jovem Pan

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *