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Sergipe sobe para 4º lugar no Brasil em transplantes de córnea; quase 200 pessoas ainda aguardam na fila


Sergipe alcançou o 4º lugar no ranking nacional de transplantes de córnea após ampliar o número de procedimentos realizados no estado. Os dados são da Central Estadual de Transplantes de Sergipe (CET/SE) e mostram um crescimento gradual nos últimos anos, impulsionado pelo aumento das doações e pela atuação do Banco de Olhos do Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse).

Em 2025, foram realizados 245 transplantes de córnea em Sergipe, número superior aos 223 procedimentos registrados em 2024. Até o dia 4 de maio deste ano, o estado já contabilizava 64 transplantes.

Apesar do avanço, a fila de espera ainda é considerada alta. Atualmente, 194 pacientes aguardam por um transplante de córnea em Sergipe.

O coordenador da CET/SE, Benito Fernandez, afirma que o principal desafio continua sendo ampliar o número de doadores.

“No Brasil, a doação só acontece com autorização da família. Por isso, é importante que as pessoas conversem sobre esse desejo ainda em vida”, destacou.

Segundo a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), o transplante de córnea foi o mais realizado no Brasil em 2025, com 17.790 procedimentos em todo o país.

Diagnóstico ainda na infância

Entre as pessoas que passaram pelo transplante está André Santos, de 29 anos, morador do bairro Santos Dumont, em Aracaju.

Ele descobriu aos oito anos que tinha ceratocone, doença que provoca deformação da córnea e pode comprometer seriamente a visão.

“Minha mãe ficou em choque quando recebeu a notícia. A situação financeira era difícil, mas conseguimos todo o encaminhamento pelo SUS e isso fez diferença”, contou.

Após o transplante, André conseguiu retomar os estudos, se formou em pedagogia e hoje faz curso técnico em enfermagem. Segundo ele, a experiência despertou o interesse em atuar futuramente na área de doação de órgãos.

“Hoje tenho outro olhar sobre a vida. Quero trabalhar ajudando outras pessoas que também precisam dessa oportunidade”, afirmou.

Como funciona a captação

A gerente do Banco de Olhos do Huse, Flávia Andrade, explicou que o processo de doação começa logo após a notificação de um óbito em hospitais públicos ou privados.

A equipe avalia se há possibilidade de doação e, em seguida, conversa com os familiares. Caso haja autorização, as córneas passam por análise e preservação antes de serem encaminhadas para transplante.

“Um único doador pode beneficiar até duas pessoas”, explicou.

O transplante de córnea é indicado para pacientes com doenças ou lesões que afetam a transparência da córnea e comprometem a visão, como ceratocone, infecções e cicatrizes oculares.



Fonte: Fan F1

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