A classificação do PCC (Primeiro Comando da Capital) e do CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas pelos Estados Unidos gerou uma série de análises sobre os impactos políticos e financeiros para o Brasil.
Em entrevista ao WW, Thiago Vidal, da Prospectiva, avaliou as múltiplas dimensões desse processo e destacou o que chamou de intromissão singular dos EUA no cenário eleitoral brasileiro.
Segundo Vidal, a decisão americana afeta toda a cadeia do sistema financeiro, e não apenas as instituições diretamente envolvidas. “Essas instituições vão ter que gastar muito mais com compliance do que vinham gastando, porque os Estados Unidos não estão preocupados apenas se bancos ou pessoas diretamente vinculadas a esses bancos têm alguma ligação com o PCC ou Comando Vermelho”, afirmou.
Para o especialista, a medida abrange desde prestadores de serviços até clientes de instituições financeiras, encarecendo o setor como um todo — especialmente em um país com alta concentração bancária como o Brasil.
Vidal também questionou a categorização do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ele, trata-se de um equívoco conceitual: “Não são terroristas, são organizações mafiosas”, disse, ressaltando que cada tipo de organização possui sua própria complexidade e seus próprios problemas.
O especialista defendeu que a distinção entre os dois tipos de entidade é fundamental para a compreensão adequada do fenômeno.
Intromissão no processo eleitoral brasileiro
No campo político, Vidal apontou que o decreto norte-americano, anunciado após a viagem dpo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) a Washington, não ocorreu por coincidência. “Ela não foi adotada posteriormente à viagem e à foto por coincidência, foi muito bem calculado”, afirmou.
Para o analista, a decisão representa uma intromissão dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro em um momento ainda anterior ao início formal da campanha — algo que ele classificou como “muito singular da relação Brasil-Estados Unidos”.
Vidal comparou a situação com a da Colômbia, onde os EUA adotaram uma postura mais tímida no primeiro turno das eleições, antes de apoiar de forma mais categórica o candidato de extrema-direita no segundo turno.
Risco de extradição de políticos
Outro ponto levantado por Vidal diz respeito ao alcance da decisão americana sobre o campo político doméstico. O especialista alertou que os Estados Unidos podem eventualmente demonstrar interesse em investigar não apenas empresários e banqueiros com supostas ligações com o crime organizado, mas também políticos.
“Se os Estados Unidos pedirem a extradição de um político brasileiro supostamente envolvido com os cartéis, com o PCC e com o Comando Vermelho, o Brasil vai extraditar?”, questionou. Para Vidal, trata-se de uma situação para a qual o Brasil não está preparado, com múltiplas nuances ocorrendo simultaneamente e cada uma apresentando seus próprios desafios.
Fonte: CNN








