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Consumo de feijão caiu pela metade em 50 anos, aponta Ibrafe


O consumo de feijão no Brasil caiu pela metade nos últimos 50 anos. Nos anos 1970 cada brasileiro consumia, em média, 23 quilos do grão por ano, hoje esse número não ultrapassa 12 quilos anuais. Essa queda é resultado da mudança de hábitos alimentares somada aos desafios na produção.

Na avaliação do presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro dos Feijões e Pulses), Marcelo Lüders, o caminho para contornar essa queda é oferecer produtos de melhor qualidade, além de reforçar a importância deste alimento para as próximas gerações.

Em entrevista ao CNN Agro News desta quinta-feira (2), ele destacou que essa mudança de hábitos não se deve à rejeição ao alimento: “Ninguém, quando é contatado sobre esse assunto, responde que não gosta de feijão. As pessoas gostam, porém têm dificuldades, falta de tempo e falta de praticidade”.

 

Praticidade e educação alimentar como saídas

Lüders defendeu que uma das formas de combater a queda no consumo é oferecer o feijão de maneira mais acessível e prática ao consumidor. “A gente não pode esquecer que o feijão pode estar sendo entregue para a população pronto, existem outras receitas que podem ser feitas”, afirmou.

Para o presidente do Ibrafe, a concorrência com os industrializados também apresentam desafios para o setor. Na avaliação dele, é necessário discutir esse cenário com a sociedade e com a academia para, em um primeiro momento, estancar a queda e, posteriormente, aumentar o consumo.

Feijão carioca e o desafio das exportações

No campo da produção, há uma predominância do feijão carioca, que resolveu problemas históricos de mecanização e adaptação agrícola, porém criou um um impasse.

“Quando o feijão carioca sobra no estoque, não há consumo. Essa modalidade é popular apenas no Brasil, o mundo não conhece o feijão carioca”, afirmou ao CNN Agro.

Para enfrentar essa situação, o setor trabalha com a possibilidade de introduzir variedades consumidas em outros países, caso do feijão mungo verde e do feijão guandu — conhecido como pigeon pea na Índia —, que já são exportados em volumes expressivos.

Em 2025, o Brasil exportou mais de 200 mil toneladas de feijão para a Índia e bateu recorde geral, com mais de 500 mil toneladas exportadas.

Diversidade e valorização da origem do grão

Em entrevista ao CNN Agro, Lüders também defendeu que informar o consumidor sobre a origem e as variedades do feijão pode ser um caminho para valorizar o produto. Ele citou o conceito de terroir — a influência do solo e da região no sabor do grão — como um diferencial ainda pouco explorado.

“Nem todo feijão preto tem o mesmo sabor”, ressaltou, mencionando diferenças entre variedades desenvolvidas por diferentes instituições de pesquisa.

Para ele, assim como ocorreu com o café, o vinho e os queijos, quanto mais informações o consumidor tiver sobre a história e a origem do alimento, maior será o interesse.

“Eu acredito que há um caminho muito interessante para ser seguido, é possível reverter isso, desde que exista mobilização”, enfatizou.

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Fonte: Em Sergipe

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