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A Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 2012, mas ainda levará cerca de 30 mil anos para realmente deixar o Sistema Solar


Voyager 1 costuma ser descrita como a sonda que “deixou o Sistema Solar”, mas essa frase simplifica demais o cenário. Em 2012, ela cruzou a heliopausa e entrou no espaço interestelar, embora ainda esteja sob a influência gravitacional do Sol.

Levará milhares de anos até atravessar por completo a região que muitos cientistas consideram parte do Sistema Solar.

O que significa Voyager 1 estar no espaço interestelar?

Para a NASA, “espaço interestelar” é a região fora da heliosfera, a bolha de partículas e campos magnéticos moldada pelo vento solar. O limite externo dessa bolha é a heliopausa, cruzada por Voyager 1 em 2012, a pouco mais de 100 unidades astronômicas (UA) do Sol.

Dentro da heliosfera, o vento solar domina o ambiente; fora dela, prevalece o meio interestelar, com plasma e campos magnéticos galácticos. A entrada nessa região foi confirmada por medições de ondas de plasma, que revelaram um meio mais denso do que o interno à heliosfera.

Voyager 1 realmente saiu do Sistema Solar?

Definir se Voyager 1 “saiu” do Sistema Solar depende do critério usado. Se o limite for a heliosfera, a nave já está além dela, coletando dados do espaço interestelar desde 2012.

Se o Sistema Solar for entendido como todo o domínio gravitacional do Sol, incluindo regiões remotas, a situação muda. Nessa visão, a sonda ainda está em “território solar”, longe de qualquer fronteira gravitacional definitiva.

A Nuvem de Oort é uma estrutura teórica em forma de concha esférica de corpos gelados em órbita do Sol. Sua existência é inferida por cometas de longo período, que chegam de todas as direções, e não apenas do plano orbital dos planetas.

Estima-se que seu limite interno fique entre 2.000 e 5.000 UA, e o externo, entre 10.000 e 100.000 UA. A NASA calcula que Voyager 1 alcance a região interna em cerca de 300 anos e leve dezenas de milhares de anos para atravessá-la.

Como a missão de Voyager 1 alcançou o espaço profundo?

Voyager 1 foi lançada em 5 de setembro de 1977 e seguiu uma rota rápida em direção aos gigantes gasosos. Em 1979 e 1980, sobrevoou Júpiter e Saturno, usando sua gravidade para ganhar velocidade e sair do plano da eclíptica.

Em 1990, a missão foi redirecionada como Voyager Interstellar Mission, focada nos limites da heliosfera. Com o decaimento dos geradores de radioisótopos, instrumentos vêm sendo desligados, mas a sonda ainda envia dados valiosos do espaço interestelar.

Quais marcos ajudam a entender a jornada de Voyager 1?

Alguns eventos organizam a história da nave e mostram a diferença de escalas entre a vida humana e a vastidão do Sistema Solar. Abaixo, estão os principais marcos dessa trajetória, do lançamento à exploração do espaço interestelar.

Injeção

Lançamento em 1977 e sobrevoos de Júpiter e Saturno em 1979–1980.

Transição

Fim da missão planetária nos anos 1980 e início da Voyager Interstellar Mission em 1990.

Fronteira

Cruzeiro até a heliopausa e cruzamento dessa fronteira em 2012.

Atualidade

Trânsito atual pelo espaço interestelar, ainda dentro da influência gravitacional do Sol.





Fonte: O Antagonista

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