O governo federal anunciou nesta segunda-feira (13) o envio de 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária a Cuba para auxiliar no enfrentamento da situação de desabastecimento de alimentos vivida na ilha caribenha. O país passa por uma crise com a escassez de combustível e alimento, agravada nos últimos meses.
O documento divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República informou que a decisão foi tomada na última quinta-feira (9), após conversa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior; o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; e a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.
Também estavam na conversa o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno; e o presidente da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), Sílvio Porto.
A operação será coordenada pela ABC (Agência Brasileira de Cooperação), do Ministério de Relações Exteriores, com alimentos disponibilizados pela Conab. Já a logística de envio ficará por conta da FAB (Força Aérea Brasileira), com dois voos para a cidade de Santiago de Cuba, localizada no sudeste do país.
A primeira remessa, com 16 toneladas de mantimento, partiu da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, nesta segunda, enquanto a segunda parte, essa com as 32 toneladas restantes, partirá do Aeroporto Internacional de Porto Alegre nesta terça-feira (14). Ambos os voos estão previstos para chegarem na quarta-feira (15).
Além desses envios, o comunicado informa que novas doações de alimentos e medicamentos estão em avaliação pelo governo brasileiro.
Veja a íntegra do comunicado do governo:
NOTA À IMPRENSA – 13 DE JULHO DE 2026
Brasil envia ajuda humanitária a Cuba
O governo brasileiro iniciou, nesta segunda-feira (13/7), o envio de 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária a Cuba, com o objetivo de contribuir para o enfrentamento da grave situação de desabastecimento vivida pelo país.
Coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério das Relações Exteriores, a operação conta com alimentos disponibilizados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que serão transportados em dois voos da Força Aérea Brasileira (FAB), ambos com destino a Santiago de Cuba.
O primeiro voo decolou às 14h10 desta segunda-feira da Base Aérea de Canoas, no Rio Grande do Sul, com 16 toneladas de leite em pó. A chegada ao destino está prevista para quarta-feira (15/7).
O segundo voo deverá decolar nesta terça-feira (14/7) do Aeroporto Internacional de Porto Alegre, transportando as outras 32 toneladas do produto, com chegada prevista também para quarta-feira.
A operação foi definida após reunião realizada em 9 de julho, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu o envio de ajuda humanitária a Cuba com a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior; o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro; o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira; a ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli; o comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Marcelo Damasceno; e o presidente da Conab, Sílvio Porto.
Em 2025, o Brasil já havia realizado doação humanitária a Cuba em resposta aos impactos provocados pelo furacão Melissa, cujos efeitos ainda são sentidos na região oriental do país, onde está localizada a cidade de Santiago de Cuba.
Novas doações de alimentos e medicamentos estão em avaliação pelo governo brasileiro.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República
Crise em Cuba
Cuba vive uma situação crítica devido à escassez de recursos, com uma economia já afetada pela deterioração de sua infraestrutura energética e agora agravada pelas tensões com os EUA e pelo embargo de petróleo imposto pelo governo de Donald Trump.
A escassez de petróleo na ilha, após a suspensão dos carregamentos da Venezuela, seu principal fornecedor e um de seus poucos aliados, após a operação militar em que os Estados Unidos capturaram o ditador Nicolás Maduro, e também do México devido às ameaças de tarifas, acelerou o declínio da ilha, que parece estar diminuindo cada vez mais sob a pressão americana.
O país, de aproximadamente 10 milhões de habitantes, depende fortemente do petróleo para a geração de eletricidade. O bloqueio efetivo imposto por Washington ao fornecimento de combustível agravou a crise energética do país, causando mais cortes de energia intermitentes, racionamento de suprimentos médicos e queda no turismo, segundo autoridades.
Os preços dos combustíveis dispararam tanto que a gasolina pode chegar a custar US$ 9 (R$ 46) o litro no mercado paralelo, o que significa que encher o tanque de um carro custa mais de US$ 300 (R$ 1.555), valor superior ao que a maioria dos cubanos ganha em um ano.
Os impactos são cada vez mais evidentes na falta de eletricidade, gasolina, serviços médicos e até mesmo serviços públicos essenciais.
Além do Brasil, diversos países enviaram ajuda humanitária à ilha, como México, Espanha e Rússia. Em 2025, o governo já havia realizado doação humanitária a Cuba em resposta aos impactos provocados pelo furacão Melissa, além de outros envios após o início do bloqueio americano à ilha.
(Com informações de Mauricio Torres, Uriel Blanco, Gonzalo Zegarra, Anabella González, Jennifer Hansler, Patrick Oppmann, da CNN)
Fonte: CNN








