Existe uma infração que sozinha responde por quase metade de todas as multas aplicadas no país. Não é o celular ao volante, não é o avanço de sinal, não é o estacionamento irregular. É o excesso de velocidade — e, mais especificamente, a faixa mais leve dele: dirigir até 20% acima do limite. O detalhe que explica o volume é este: a maior parte dessas autuações não nasce de imprudência deliberada, mas de distração de poucos segundos. Aqui explicamos os números, como a multa acontece sem que você perceba e o que fazer para não ser pego.
Quantas multas o Brasil aplica?
A escala do número ajuda a entender por que praticamente todo motorista já foi autuado ao menos uma vez.
Segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito, o país registrou 15,9 milhões de infrações apenas em janeiro e fevereiro de 2026 — uma média de 187 por minuto, ou mais de três motoristas multados por segundo.
Qual infração lidera o ranking?
O excesso de velocidade não apenas lidera: ele domina, com uma vantagem que faz as demais infrações parecerem secundárias.
Os números do ranking das infrações mais cometidas em 2026 mostram o tamanho da distância:
- Velocidade até 20% acima do limite: mais de 6,1 milhões em dois meses.
- Somadas as três faixas de velocidade: mais de 7,6 milhões de autuações.
- No acumulado de doze meses, a velocidade responde por 45,82% de todas as infrações.
- Celular ao volante: mais de 600 mil registros no mesmo período.
- Infrações administrativas, como licenciamento atrasado: mais de 968 mil.

Por que a faixa mais leve é a mais comum?
Aqui está o ponto que muda a interpretação de todo o ranking. Quem passa de 50% do limite é minoria — o grosso é gente andando pouco acima.
Numa via de 60 km/h, a faixa “até 20%” cobre de 68 a 72 km/h — uma velocidade que não parece rápida, não assusta o motorista e não gera qualquer sensação de risco. É exatamente por isso que ela lidera: o condutor não percebe que está infringindo. A multa não vem do excesso óbvio, vem do descuido silencioso.
Como a tolerância do radar realmente funciona?
Muita gente conta com a tolerância sem saber como ela é calculada — e o erro custa caro.
O radar desconta 7 km/h em vias de até 100 km/h, ou 7% da velocidade registrada em vias acima disso. Só depois desse desconto a velocidade é classificada. Na prática: numa via de 80 km/h, o radar que registra 95 km/h considera 88 km/h — excesso de 10%, portanto infração média. A tolerância não é um bônus para andar mais rápido: é a margem técnica do equipamento, e ela já está embutida no que chega na sua casa.
Quanto custa cada faixa?
A progressão do valor é desproporcional de propósito, e a última faixa muda de patamar.
Conforme o artigo 218 do Código de Trânsito Brasileiro, a Lei 9.503/97, os valores em 2026 são: até 20% acima do limite, R$ 130,16 e 4 pontos (média); entre 20% e 50%, R$ 195,23 e 5 pontos (grave); acima de 50%, R$ 880,41 e 7 pontos (gravíssima com multiplicador de 3x), além de suspensão do direito de dirigir.
O medidor abaixo mostra o limite de pontos que qualquer motorista sem infração gravíssima pode acumular em 12 meses antes de ter a CNH suspensa.
10 multas médias = 40 pontos
Cada infração “até 20% acima do limite” soma 4 pontos. Sem nenhuma infração gravíssima no período, o teto de 12 meses é 40 pontos — o suficiente para suspender o direito de dirigir.
Limites de pontuação da CNH conforme CTB e normas do Contran para o período de 12 meses.
Como a multa acontece sem você perceber?
Quase nenhuma dessas autuações vem de alguém “correndo”. Vêm de situações banais, em que o pé ganha da atenção.
Os cenários clássicos:
- A via muda de limite e a placa nova passa despercebida.
- Descida longa: o carro ganha velocidade sem acelerador.
- Ultrapassagem: o motorista acelera e não volta ao limite depois.
- Via vazia de madrugada, quando o corpo subestima a velocidade.
- Velocímetro do carro marca a menos que a velocidade real — e o radar não erra.
Por que o velocímetro não protege?
Este é o detalhe técnico que pega o motorista cuidadoso. O velocímetro do veículo não é um instrumento de precisão.
Por norma, ele nunca pode indicar velocidade menor que a real, mas pode indicar maior — e costuma indicar. Isso protege em parte, mas cria um problema: quem calibra o pé pelo ponteiro perde a referência exata. Pneus com diâmetro diferente do original desregulam ainda mais a leitura, e aí o motorista que “andava a 70” descobre no correio que estava a 75.

O que fazer para não ser autuado?
A solução não é decorar onde ficam os radares — é reduzir a dependência da atenção momentânea.
O limitador de velocidade, presente na maioria dos carros modernos, resolve a maior parte dos casos: você define o teto e o pé não passa dele. Aplicativos de navegação avisam sobre mudança de limite e radares. E vale o hábito de conferir a placa ao entrar em qualquer via — o limite muda mais vezes do que a memória registra. Quem depende do veículo para trabalhar, como nas rotinas de quem roda o dia inteiro, sente a diferença: pontos na CNH ali significam risco direto de renda.
O que convém lembrar sobre a multa mais comum do Brasil
O excesso de velocidade responde por quase metade de todas as autuações no país, e a faixa que mais multa é a mais leve — até 20% acima do limite, justamente a que não parece rápida. A tolerância de 7 km/h já vem descontada antes da classificação, então não é margem para andar mais rápido. A maior parte dessas multas nasce de placa não vista, descida longa ou ultrapassagem sem retorno ao limite. Usar limitador e app de navegação resolve mais do que tentar memorizar radares.
Este conteúdo tem finalidade informativa e reflete valores vigentes na data de publicação. Consulte o CTB e o Detran do seu estado para regras específicas ou orientação sobre recursos.
Fonte: O Antagonista









