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O aeroporto gigante construído no mar que precisa ser levantado coluna por coluna para não ficar torto enquanto a ilha afunda


No meio da Baía de Osaka, no Japão, duas enormes ilhas artificiais sustentam pistas, terminais e instalações capazes de receber aviões internacionais durante 24 horas. O terreno, porém, continua descendo lentamente sob o próprio peso. Para impedir que partes do aeroporto fiquem inclinadas, os engenheiros criaram um sistema capaz de levantar individualmente suas colunas.

Por que o Aeroporto de Kansai foi construído no meio do mar?

A região de Osaka precisava ampliar sua capacidade aeroportuária, mas encontrar uma grande área disponível em terra era difícil. Além do custo das desapropriações, existiam preocupações com o barulho dos aviões sobre zonas densamente habitadas. A solução escolhida foi criar uma ilha artificial a vários quilômetros da costa, permitindo operações contínuas com menor impacto sonoro sobre as cidades próximas.

A primeira ilha começou a ser construída no final da década de 1980, em águas com aproximadamente 18 metros de profundidade. Rochas, areia e grandes volumes de terra foram colocados dentro de uma barreira marítima até que uma superfície surgisse sobre a baía. O Aeroporto Internacional de Kansai foi inaugurado em 1994, com uma das estruturas aeroportuárias mais impressionantes já erguidas sobre terreno recuperado do mar.

Como o Aeroporto de Kansai começou a afundar mais do que o esperado?

Os engenheiros sabiam desde o início que a ilha sofreria subsidência, nome dado ao rebaixamento gradual do solo. O problema aconteceu porque o fundo da baía possui camadas espessas de argila saturada. Quando milhões de toneladas de material foram depositadas sobre elas, a pressão começou a expulsar lentamente a água existente entre as partículas, comprimindo o terreno.

Os principais fatores envolvidos nesse processo são:

  • Peso gigantesco das camadas usadas para formar a ilha
  • Argila marinha macia localizada sob o aterro
  • Liberação lenta da água presa dentro do solo
  • Compressão desigual em diferentes pontos da ilha
  • Peso adicional dos terminais, pistas e demais instalações
  • Continuidade do recalque durante décadas após a construção

Para complementar o tema, o canal oficial Kansai International Airport apresenta o vídeo “Kansai International Airport(KIX) 「About Jack up」 / 関西国際空港”. O material mostra como as colunas do terminal são levantadas separadamente e como placas metálicas são inseridas para corrigir pequenas inclinações:

A subsidência não significa que toda a ilha esteja desaparecendo de maneira uniforme como um navio furado. Algumas áreas descem mais do que outras, produzindo o chamado recalque diferencial. Essa diferença é especialmente perigosa para edifícios longos, porque pode desnivelar pisos, deformar conexões e criar tensões em elementos que deveriam permanecer alinhados.

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Como os engenheiros conseguem levantar um terminal gigantesco?

O Terminal 1 foi projetado com colunas ajustáveis justamente para enfrentar possíveis diferenças no assentamento do solo. Quando os instrumentos detectam que determinada área começou a ficar mais baixa, macacos hidráulicos são posicionados sob as colunas afetadas. Cada ponto pode ser elevado de maneira controlada, sem a necessidade de suspender todo o edifício de uma única vez.

Depois que a coluna atinge a altura planejada, placas de aço são inseridas em sua base para preencher o espaço criado. Em seguida, o macaco é retirado e a carga volta a ser sustentada pela coluna ajustada. Portanto, o terminal não permanece continuamente apoiado sobre macacos hidráulicos ativos, como sugerem algumas versões populares da história.

Quantas colunas podem ser corrigidas dentro do terminal?

O principal terminal possui aproximadamente 900 colunas preparadas para receber esse tipo de ajuste. Essa quantidade ajuda a distribuir o peso do edifício e permite intervenções localizadas. Se uma região descer alguns centímetros a mais do que outra, os técnicos conseguem corrigir o desnível sem levantar toda a estrutura simultaneamente.

Elemento Informação aproximada Função ou consequência
Primeira ilha Cerca de 510 hectares Sustenta o Terminal 1 e uma das pistas
Segunda ilha Cerca de 545 hectares Recebeu a segunda pista e novas instalações
Comprimento do Terminal 1 Aproximadamente 1,7 quilômetro Torna diferenças de nível especialmente preocupantes
Colunas ajustáveis Aproximadamente 900 Permitem correções localizadas no edifício
Método de correção Macacos e placas de aço Restaura o alinhamento das colunas
Inauguração 1994 Marca o início das operações da primeira ilha

O nivelamento precisa ser acompanhado por medições frequentes. Sensores e levantamentos topográficos revelam como cada parte se movimenta ao longo do tempo. O objetivo não é impedir completamente a compressão das camadas profundas, algo praticamente impossível depois da construção, mas evitar que diferenças locais comprometam portas, pisos, tubulações e elementos estruturais.

O Aeroporto de Kansai pode realmente desaparecer no oceano?

A imagem de um aeroporto sendo lentamente engolido pelo mar é impactante, mas simplifica o problema. A ilha foi projetada para sofrer subsidência, e a velocidade do afundamento diminuiu conforme o terreno foi sendo comprimido. O risco mais importante está na combinação entre perda de altura, recalque irregular, elevação do nível do mar e eventos extremos como tufões e marés de tempestade.

A própria Kansai Airports explica que o sistema de elevação é usado para corrigir pequenas inclinações provocadas pelo recalque diferencial. Cada coluna é levantada individualmente e recebe placas de aço até que o alinhamento seja restaurado. O método protege os edifícios, mas não levanta as pistas nem faz toda a ilha retornar à altura original.

Como macacos hidráulicos mantêm nivelado um terminal de 1,7 quilômetro
Como macacos hidráulicos mantêm nivelado um terminal de 1,7 quilômetro

Que outras medidas protegem a ilha contra o avanço do mar?

As estruturas de defesa marítima são tão importantes quanto os ajustes sob o terminal. Muros e barreiras cercam as ilhas para reduzir o impacto de ondas e marés de tempestade. Depois de inundações provocadas pelo tufão Jebi, em 2018, novas medidas foram adotadas para ampliar a proteção contra eventos extremos e impedir que água do mar alcance áreas essenciais.

Também existem sistemas de drenagem, bombas, comportas e planos de emergência. Equipamentos elétricos precisam permanecer protegidos, porque uma inundação pode paralisar operações mesmo sem causar danos graves às pistas. A segurança depende de várias camadas, já que os macacos hidráulicos corrigem o edifício, mas não oferecem proteção direta contra ondas, tempestades ou elevação da água.

Por que essa obra continua sendo uma referência da engenharia mundial?

O aeroporto demonstrou que era possível construir uma infraestrutura gigantesca sobre uma ilha criada em águas profundas, mas também revelou os limites das previsões geotécnicas. As camadas inferiores do solo continuaram se comprimindo de maneira mais intensa e prolongada do que algumas estimativas iniciais indicavam, exigindo monitoramento e adaptações permanentes.

O Aeroporto de Kansai não é literalmente inflado, nem levantado inteiro todos os dias. O que os engenheiros fazem é mais preciso: identificam pequenas diferenças, elevam colunas específicas e inserem placas para recuperar o nível. Essa capacidade de corrigir uma construção de 1,7 quilômetro, enquanto aviões continuam pousando e decolando sobre uma ilha que ainda se acomoda, é o verdadeiro feito escondido sob o terminal.





Fonte: O Antagonista

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