Depois de semanas de negociações, vetos e tentativas frustradas de ampliar sua aliança, o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou nesta quarta-feira (5) Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente em sua chapa na disputa pelo Palácio do Planalto.
O anúncio encerra um dos principais impasses da pré-campanha do senador. Ao lado de Flávio estavam a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), dois dos nomes mais cotados para ocupar a vaga, mas que acabaram fora da composição por razões políticas distintas.
A definição ocorre um dia antes do encerramento do prazo para as convenções partidárias. Embora Flávio tenha afirmado na terça-feira (4) que o PL poderia deixar a vaga aberta até o registro definitivo da candidatura, em 15 de agosto, a campanha decidiu antecipar a escolha para evitar questionamentos jurídicos e transmitir uma imagem de maior estabilidade ao eleitorado.
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Neutralidade dos aliados
A escolha do vice foi marcada mais pelas portas que se fecharam do que pelas opções disponíveis. Desde que foi lançado candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em dezembro do ano passado, Flávio buscou um nome capaz de ampliar sua penetração entre mulheres, eleitores de centro e setores do empresariado. A prioridade era encontrar alguém de fora do PL, preferencialmente de um partido do Centrão.
A principal tentativa envolveu Tereza Cristina. A ex-ministra da Agricultura chegou a aceitar o convite para integrar a chapa, mas o Progressistas decidiu manter neutralidade na disputa presidencial e impediu sua indicação.
O Republicanos também recusou entrar formalmente na campanha presidencial, inviabilizando outros nomes defendidos por aliados do PL, entre eles Daniella Marques e Damares Alves.
Nos bastidores, dirigentes de partidos de centro-direita avaliavam que uma adesão formal à candidatura de Flávio poderia representar um custo elevado caso surgissem novos desgastes durante a campanha ou em um cenário de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A estratégia predominante foi preservar a autonomia das legendas e manter espaço de negociação independentemente do resultado das urnas.
Pragmatismo prevaleceu
Sem conseguir romper a resistência das legendas que orbitam o Centrão, o PL acabou concentrando as conversas em nomes considerados viáveis politicamente.
A avaliação da campanha era que insistir em negociações sem perspectiva concreta poderia prolongar uma indefinição que começava a gerar desgaste às vésperas do início oficial da corrida eleitoral.
Com a definição, o partido encerra um capítulo que se arrastava desde o lançamento da candidatura e passa a concentrar esforços na agenda eleitoral.
Fonte: Em Sergipe











