Flávio Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (5) o deputado Alfredo Gaspar como seu vice na disputa presidencial, nome que estava fora da lista de cotados para a posição. Para a analista de política Clarissa Oliveira, a escolha representa um movimento oposto ao que havia permeado a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, que era de fazer um movimento em direção ao centro.
“Alfredo Gaspar é um nome que faz justamente um movimento de puxar a campanha de Flávio Bolsonaro mais à direita, mais para um bolsonarismo raiz“, destacou Clarissa durante o Live CNN desta terça-feira (5).
Segundo Clarissa, Gaspar representa um perfil muito focado em segmentos como segurança pública, área em que o bolsonarismo já possui forte mobilização. “Não é uma figura que vem para tentar complementar de alguma maneira a candidatura de Flávio Bolsonaro com um aceno em outras direções”, destacou.
Um ponto considerado estratégico, na avaliação da analista, é o fato de Alfredo Gaspar ser uma figura do Nordeste e, ainda assim, se posicionar como opositor aberto a Lula.
Clarissa observou que, nessa região, políticos de direita costumam evitar confronto direto com Lula ou até apoiá-lo, o que torna o perfil de Alfredo Gaspar uma exceção relevante na composição da chapa.
“É uma chapa pura, não só PL e PL, mas uma chapa pura bolsonarismo e bolsonarismo”, resumiu a analista.
Fator Arthur Lira
A analista de Política Isabel Mega trouxe uma análise sobre os bastidores da escolha. Segundo fontes ouvidas por ela, há uma percepção de que a decisão envolve uma articulação com Arthur Lira.
Alfredo Gaspar havia sido confirmado como candidato ao Senado por Alagoas e liderava pesquisas para o cargo. Com sua saída da disputa para assumir a vice na chapa presidencial, Arthur Lira, também candidato ao Senado por Alagoas, seria um dos principais beneficiados.
“Há uma configuração ali que vem de uma relação de longa data, inclusive do ex-presidente Jair Bolsonaro com o ex-presidente da Câmara. Essa é uma consequência interessantíssima de a gente observar, considerando que Lira é um dos principais expoentes do Centrão“, afirmou a analista.
Mega também destacou a trajetória de Alfredo Gaspar, que se tornou conhecido por sua atuação como relator da CPMI do INSS. Ela também mencionou que Alfredo Gaspar migrou da União Brasil para o PL no ano passado, assumindo a presidência estadual do partido em Alagoas.
“Isso pode ajudar o bolsonarismo a bater principalmente na questão de corrupção, lembrando o fantasma das fraudes do INSS. A gente está vendo o comportamento do bolsonarismo surfando nessa onda, ainda mais com o outro lado começando a ter esse calcanhar de Aquiles”, afirmou Mega.
Eleitorado feminino
Por outro lado, a analista apontou uma fragilidade relevante na composição da chapa. Com a escolha de Alfredo Gaspar, a campanha deixa de contemplar o eleitorado feminino.
“De novo, optando por um homem, um homem de meia-idade, um homem branco e que não vai conversar com essa parcela do eleitorado feminino”, avaliou.
A jornalista lembrou que já há uma rejeição significativa do eleitorado feminino ao nome de Flávio Bolsonaro, superior à rejeição registrada em relação à campanha de Lula.
Segundo Isabel, a aposta da campanha para contornar esse problema passa pela participação de Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio. A eventual participação de Michelle Bolsonaro na campanha ainda é vista como incerta.
A jornalista revelou ainda que Priscila Costa (PL-CE), apontada como aliada de Michelle e cotada para a vaga de vice, chegou a ser consultada por Rogério Marinho na véspera do anúncio. Ela teria aceitado o convite, mas não recebeu uma proposta formal.
Fonte: CNN









