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Emília comenta denúncias contra Hugo Esoj e questiona: “O que é que tem de concreto?


A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), comentou, nesta sexta-feira, 7, as denúncias que envolvem o presidente da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), Hugo Esoj, apresentadas na Câmara Municipal de Aracaju ao longo desta semana, e justificou a manutenção dele à frente da presidência da estatal.

A prefeita questionou por que as denúncias contra Hugo Esoj vêm sendo tratadas fora da CPI das Concessões de Espaços Públicos, já instalada na Câmara, e defendeu que o assunto seja levado ao colegiado.

“Existe uma CPI instalada na Câmara. Aí você fica pensando: se existe uma CPI instalada, por que essas denúncias não estão sendo tratadas na CPI? Eu sou a favor que a CPI avance, que isso seja colocado lá dentro, porque aí tem todo um espaço para demonstração do devido processo, da defesa, dos elementos, dos documentos. Tratar um assunto que já tem uma CPI fora dela já perde um pouco do sentido, e a gente vê mais política do que busca da verdade”, afirmou.

Questionada sobre a diferença de tratamento em relação a um caso anterior, quando optou pelo afastamento de um servidor após a identificação de um desvio de R$ 240 mil, e sobre o motivo de manter Hugo Esoj no cargo, a prefeita disse não enxergar, até o momento, um elemento concreto equivalente que justifique a mesma medida.

“O que é que tem de concreto? Deixa a CPI, vamos botar esse assunto dentro dela, eu defendo a CPI. Naquele caso, tinha de concreto: houve um valor que foi para um caminho errado, e muita responsabilidade cabia a quem estava naquela função de diretor financeiro. Então tinha um sentido, inclusive de proteção da própria gestão”, disse.

A prefeita também citou o calendário eleitoral como motivo para redobrar a cautela antes de qualquer decisão sobre o caso.

“A gente está no ano eleitoral. Vai aparecer muita coisa. Por isso a gente tem a cautela de investigar, de trazer pela via correta documentos e vídeos, e não simplesmente jogar em uma mídia ou numa tribuna. Mas, dentro disso, eu defendo as investigações, eu defendo a CPI, eu defendo que isso chegue realmente ao encontro da verdade”, completou.

Por fim, Emília Corrêa questionou se o servidor já teve oportunidade de se manifestar sobre as acusações. “Já se abriu um espaço para escuta do servidor, do funcionário? Não. Então seria interessante que se fizesse isso dentro da CPI, que é um instrumento para isso”, concluiu.

Entenda o caso

As denúncias vieram à tona na última terça-feira, 4, quando o vereador Elber Batalha (PSB) usou a tribuna da Câmara para relatar supostas irregularidades envolvendo Hugo Esoj em um quiosque na região da Aruana. Segundo o parlamentar, a permissão de uso do espaço estava formalmente em nome de André Luiz Mendonça dos Santos, hoje coordenador na Secretaria Municipal da Educação e primo de Hugo Esoj, mas quem de fato explorou o ponto comercial, antes de assumir a presidência da Emsurb, foi o próprio Hugo, que posteriormente teria repassado o espaço, mediante aluguel, a uma empresária, prática vedada pelas normas de permissão de uso.

Ainda de acordo com o vereador, a situação se agravou depois que Hugo assumiu a presidência da Emsurb: a permissionária teria passado a ser alvo de perseguição administrativa, com a suspensão da emissão de boletos de pagamento da taxa de permissão como forma de forçar a inadimplência e viabilizar a revogação da autorização de uso. A empresária recorreu à Justiça e obteve decisão favorável para permanecer no local.

No dia seguinte, quarta-feira, 5, Elber apresentou ainda uma publicação da Junta Comercial do Estado de Sergipe (Jucese) que, segundo ele, identifica Hugo Esoj como proprietário do estabelecimento, o que reforçaria sua tese de que André teria atuado como “laranja” na permissão original, concedida, segundo o parlamentar, quando o próprio Hugo ocupava cargo na diretoria de espaços públicos da Emsurb, ainda na gestão do ex-prefeito João Alves Filho.

O caso dividiu opiniões entre os vereadores. O presidente da Câmara, Ricardo Vasconcelos, revelou que outras pessoas já o procuraram para relatar possíveis irregularidades semelhantes e defendeu o envolvimento do Gaeco e da Deotap na apuração, além de afirmar que, no lugar da prefeita, afastaria Hugo Esoj do cargo. Já Isac Silveira (União Brasil) reconheceu que a prática de sublocação é irregular, mas evitou associá-la a um esquema deliberado de desvio, defendendo cautela até que todas as partes sejam ouvidas. Em posição oposta às denúncias, Vinícius Porto rebateu a tese de perseguição ou tráfico de influência, afirmando que a Emsurb retirou a permissão tanto da permissionária quanto do antigo titular, sem devolver o espaço a nenhum dos dois.



Fonte: Fan F1

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