O Ministério Público Federal (MPF) realizou, na última quinta-feira, 25, uma reunião com representantes dos municípios de Aracaju, Barra dos Coqueiros, Pirambu e Estância para discutir estratégias de proteção das tartarugas marinhas diante de ataques de cães errantes no litoral sergipano, incluindo áreas de unidades de conservação federais. O encontro contou ainda com a participação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/Centro Tamar), da Reserva Biológica (Rebio) de Santa Isabel e da Fundação Projeto Tamar.
Entre os encaminhamentos definidos estão:
- a realização, em até 30 dias, de ações de monitoramento integradas entre municípios e equipes da Fundação Tamar;
- a identificação de cães errantes e a promoção de atividades educativas, incluindo a notificação de moradores que soltam animais de forma inadequada, no prazo de 15 dias;
- a análise da inclusão de condicionantes de proteção às tartarugas na renovação do licenciamento do Terminal Marítimo Inácio Barbosa (TMIB);
- e a criação, em parceria entre o MPF e o programa Aju Animal, de um curso sobre manejo, captura e cuidado de cães errantes.
De acordo com o procurador da República Ígor Miranda, a proteção das tartarugas depende de ações integradas. “Os ataques de cães errantes ameaçam diretamente espécies já em risco de extinção, o que reforça a necessidade de políticas públicas consistentes”, destacou.
Espécies ameaçadas
O litoral de Sergipe é a principal área de desova da tartaruga Oliva no Brasil. Também há registros, em menor escala, de desovas das espécies Cabeçuda, de Pente e Verde, todas ameaçadas de extinção. Dados do Projeto Tamar indicam que, desde o início do ano, já ocorreram ataques de cães a tartarugas adultas durante a desova, principalmente na Barra dos Coqueiros, com morte de todos os animais atingidos.
Pesquisadores relatam que os cães circulam pelas praias, sobretudo à noite, em busca das tartarugas. Alguns possuem tutores não identificados, enquanto outros aparentam ter sido abandonados. A destinação dos animais apreendidos enfrenta dificuldades devido à falta de plano de manejo nos municípios e à inexistência de estruturas adequadas na região metropolitana de Aracaju.
O Projeto Tamar monitora cerca de 150 km de praias em Sergipe, protegendo aproximadamente 8 mil desovas e 600 mil filhotes a cada temporada reprodutiva. A estimativa é de que apenas um ou dois filhotes, a cada mil, cheguem à idade adulta, o que evidencia a relevância das medidas de proteção.
Fonte: Fan F1









